31 outubro 2006

Completamente só...


É aquele o meu esconderijo, o lugar perfeito para me desinibir de todos os entraves que faço questão de colocar todos os dias, na minha vida. Ali, aquela leve brisa é capaz de me tocar, mesmo que seja ao de leve, eu consigo senti-la. Ali, quem sou eu? Numa profunda introspecção do meu ser, sou apanhada e levada por sentimentos bons e maus, de tamanha dimensão, que outrora não conseguiam alcançar o meu coração frio, diria melhor, gelado, servindo de uma camada, não o suficientemente espessa, para cobrir as azáfamas da monotonia do dia a dia. E foi lá, que eu senti os mais estranhos pressentimentos, aqueles que corroem até ao fim, sem restar simplesmente nada. Vi aquela água tão clara, límpida, transparente e indolor, que depressa se tornou estranhamente escura, suja, com um cheiro desagradável a barro, causado pelas inúmeras tempestades. Aquela água que escorria, deslizando ao mesmo tempo que limpava a sujidade que por ali se fixou; mas não conseguindo limpar a tristeza da perda, a tristeza da incapacidade, que residia nos olhos dela. Sob o efeito de pressão a que aquele local nos obriga, vi ali exposto um turbilhão de sentimentos e de pensamentos que se apoderavam do meu corpo, frágil e da minha consciência estagnada. Eis que surgiu aquela afirmação, que num momento de maior sobriedade e noutro local, eu diria mesmo, que era a afirmação mais esquisita que ouvira. ‘’Aquela pedra castanha é bonita’’. Num local onde a melancolia está presente em todos os recantos, onde tudo transmite um significado atordoador de paz em conjunto com a insignificância e tristeza, ali eu percebi. Se ‘’em terra’’ não conseguimos tornar-nos iguais, ali, tudo é igual, todos somos iguais uns aos outros, Ali, pois, não há diferenças, obtemos todos o mesmo significado. E forçosamente vi-me obrigada a contrapor aquela afirmação, numa frase breve, curta, mas compreensível, disse: ''Aqui nada é bonito''. O silêncio fixou-se no ar. E então, dei razão a mim mesma, ali é tudo tão igual, o bonito é algo que não paira naquele sítio, ali tudo é horrivel.
Diria então, que a minha ingenuidade foi posta, mais uma vez, à prova, e mesmo assim, não consegui livrar-me dela, ela acompanha-me para onde quer que eu vá. Medo, talvez de querer acreditar que tudo é tão delinear como dizem.
No passado, ainda recordo os mesmos desenhos, representando os mesmos sonhos e desejos, a mesma fragilidade e inocência; aqueles desenhos com um monte verdejante, cheio de flores, uma casa com uma chaminé a fumegar, duas árvores, as nuvens e o sol sorridente e radioso; eu, os meus pais e o meu irmão, todos sorridentes e de mão dada.
Sim, agora acredito, é lá que eu permaneço com os pés bem assentes na terra, e involuntariamente, como se de uma força superior se tratasse, reconheço a minha miragem feita pelo reflexo da lua na água clara, ali, visiono pormenorizadamente todos os traços da minha sombra, e sem querer vou-me reconhecendo. Ali sei quem realmente sou.
Sou aquela menina que, se dantes fazia parte daqueles desenhos, hoje, vê-se completamente sozinha neles, Os desenhos não mudaram, quem mudou fui eu, a realidade que me rodeia obriga-me a abstrair-me da fantasia. A fantasia que eu própria afastei de mim, a fantasia que me obrigou a conviver com a obscuridade do vazio, sem sentimentos.

Completamente sozinha.

18 outubro 2006

Inevitável...


Apagas os passos que vou dando em frente e fazes-me recuar; dás ordens ás nuvens que cubram a única luz que me resta, a luz dos astros. A única razão pela qual ainda sou tua refém prende-se pelo motivo de tu teres aprisionado a minha alma, tiraste-me a razão de viver, o sentido à vida. De momento caminho em sítios, onde a estranha melancolia reina, e de rompante ponho-me a espreitar em todas as esquinas que vou encontrando, na solene esperança de encontrar um rumo; um rumo que me encaminhe, um rumo que tenha luz, que não haja nada que a faça apagar. Parei numa poça de água, feita pela chuva, nela consigo ver o meu reflexo, nada o pode diluir a não ser o calor do sol; nela revejo quem eu sou e com ela ajudo a combater a minha incapacidade de reagir.
E agora que tudo se apagou, e agora que as únicas saídas que tinha estão obstruídas pela minha mente auto destrutiva. Saio de levezinho sem ninguém se dar conta, luto contra o único tempo que me resta, e depois, simplesmente, paro. E agora sim, arrasto-me contigo, deixo-me ser levada pela tempestade de vento, e enquanto a ventania me envolve, tento recordar-me de momentos passados.
Inútil. Apagou-se tudo, congelaste a restante parte de mim. Apareces inoportunamente, és imprevisível, mas neste momento já não me consegues surpreender; passo demasiadamente tempo à tua espera. Roubas cada segundo do meu tempo, e fazes-me desperdiçar cada milésimo de segundo da minha vida. Vida? A que tu levaste contigo e que nunca mais me devolveste?

Devolve-ma…
Apagaste-me tudo…
E a esse tudo, vou-me juntar, em dentro de poucos instantes…
Falta pouco para eu me apagar também…
Leva-me contigo de uma vez por todas,
no lugar onde me deixaste perdida, não me consigo encontrar,
já não estou aqui a fazer nada…
O meu pensamento dissolveu-se na densa atmosfera…
Os meus sentimentos, esses? Fazem parte da enorme complexidade da noite, e por lá, encontram-se dispersos, encontram-se tal como eu,
Sozinha, a vaguear…
Á espera…
E assim, vou passando os restantes dias,
Á espera…

Vejo, apenas aquilo que ainda não me levaste,
a minha sombra...

10 outubro 2006

Encurralada...

Sinto uma tristeza
Sem fim
Dentro de mim
O meu coração
Bate como um relógio
Sinto um calafrio
Dentro de meu ser
Esta dor é tão forte
Que quase me derruba
A minha mente
Desapareceu no infinito
Não sei explicar
Este vazio dentro
Do meu corpo
Gostava de ser uma semente
Para ser transportada pelo vento
Gostava de soltar a minha mente
E deixa-la à deriva por um momento
Sem parte definida
Sem local de chegada
Sem destino premeditado
Queria voar, voar, voar,...
Queria sentir, sentir,...
Queria apanhar
Essa liberdade de viver
Ser livre no tempo
Soltar todo o meu ser
Libertar-me das amarras da vida
Ser livre de voar pelo mundo
Ai, como eu queria ser assim
Poder dar fim
A esta dor que queima
Dentro de mim.

By: someone

Debilitada vou percorrendo um dia de cada vez, a fraqueza permanece em todas as partes do meu corpo, Numa decomposição constante e quase que cíclica, movo-me nos permanentes bloqueios da minha mente. O meu olhar cabisbaixo, dissipa-se, enquanto tento desprezar, e ao mesmo tempo, acabando por aceitar, a minha morte lenta. O olhar atento fixado nos meus paços, o controlar da minha respiração e dos meus movimentos; o distorcer da minha voz, enquanto me roubas a visão, e eu ali quieta na expectativa, tento lutar contra a cegueira. Tu roubaste-me a alma, apoderaste-te do meu pensamento, utilizando-o para coisas horríveis, e sabes? Graças a ti, já não sei nada, não sei o que estou aqui a fazer. O teu objectivo é recrutares-me, para junto de ti, conseguires fazer de mim a tua boneca de trapos, querendo manipulares-me, para contigo, ‘’acabar’’ com a vida de mais inocentes.
Isso pensava eu, e agora, num momento de sobriedade, caí em mim.
Sim, tu queres algo que estás a conseguir; queres assistir à minha deterioração; invisível a nível físico, mas claramente visível no meu estado de reacção.

Sabes que não estou a sofrer, porque tens a consciência que me tiraste todos os sentimentos; e com vontade ou sem vontade, não te apoderaste das únicas ‘’expressões’’ que ainda me restam, que uso para te fazer frente; o meu sorriso, a minha escrita; e acredita, através dela consigo enfrentar-te, não sabendo explicar bem ao certo o que tu és, mas sim, o efeito que provocas em mim.

Inocentemente ainda acredito que te vais fartar, que um dia vais dizer basta!, assim como eu o disse inúmeras vezes…
Se esse tal dia não acontecer, eu sei muito bem o fim que me espera,
Perdida, inconsciente, fraca,
Á espera que a alma que me roubaste
Encontre o meu corpo caído e inacabado,
Esquecido e apagado pelo tempo.

06 outubro 2006

Visita Nocturna...


Incontáveis são as estrelas que, durante a noite, me ocupam o tempo; contando-as, uma a uma, sem saber distinguir qual delas a que me transmite mais energia. Devido à sua beleza, atenta fico a olha-las, ao mesmo tempo que aquele instante me consome. Aqui, sei que nada me é capaz de alcançar, e com o céu estrelado, partilho momentos da minha insignificante existência.
Inesperadamente, sinto uma aragem gelada a inundar a atmosfera. O cheiro do ar altera-se numa rapidez estonteante, o coração palpita, e nesse momento, congelo todos os meus íntimos e sofredores sentimentos. Não vais usá-los para me destruíres, desta vez não, desta vez, serei mais forte que tu. Petrificada, interrogo-me novamente: Estás mesmo aí?
Enquanto o meu olhar desinibido, percorre o teu espectro na vasta imensidão da noite, chego à conclusão, daquilo que eu mesma estava à espera, Não consigo enfrentar-te, tu aproveitas-te da minha fraqueza, e acabas sempre por me apanhar.
Tens a capacidade de me fazer parar, e de extinguir os meus sonhos que outrora, eram uns sonhos de menina, tudo isto num ápice reluzente, mas tão invisível.
A tua presença já não me surpreende, Sabes? Habituei-me a ela, por mais horrível que ela seja, por isso, Não te peço para me deixares em paz, nem muito menos, para te ires embora, peço-te apenas, para me deixares fazer o que me tens impedido este tempo todo, Deixa-me viver, quero apenas sentir o toque do frágil intocável, quero-me sentir viva.
E só desta forma consigo divulgar as palavras que me roubas.

Não congeles os poucos sentimentos e memórias que guardo dentro de mim….
A tua presença torna-me vazia; a tua ausência assusta-me…
E então, continuo..
Respiro ofegante, a soluçar de medo e olho, à tua espera.

Sinto-me como aquela árvore, tão sozinha no meu da complexidade da noite,

Sinto-me a tua presa.

05 outubro 2006

Imprevisível...


Chega! Disse baixinho para mim. Quero sair deste beco sem saída, deste beco que me encurrala a vida. Viro-me e encontro outros entraves que me impedem de prosseguir. De repente, apercebo-me. Estou num labirinto. Farta de andar à roda e ir parar ao mesmo sítio, ando enleada, ás voltas, e cada vez me enleio mais. Sei que ninguém me pôs aqui, eu mesma criei esta situação. Quis combatê-la e depois desisti, fiquei parada, e agora é tarde de mais. Ando ás voltas, involuntariamente, percorro aquele a que eu chamo de o meu pensamento, recheado de insanidade, talvez, o pensamento que me prende, o pensamento que eu agarrei e que a todo o custo, não irei largá-lo. Embora queira libertar-me, não consigo, é inútil, tenho sempre ‘’aquele’’ algo que me bloqueia, e dentro de mim ouço apenas aquele Chiu. E silenciosamente, sem qualquer capacidade de reacção, calo-me. Os meus cabelos ficam enrolados, entrelaçados pelo vento, enquanto admiro, no meu mais profundo silêncio, a voz, a luminosidade da Lua. A sua beleza não é suficiente para poder apagar as marcas que eu tenho, feitas por ti, contudo, perco-me e consigo ir até onde o meu pensamento nunca me levou. Sentada, no parapeito da imaginação, a debater-me sobre a acumulação de recordações e sentimentos residentes em mim, fico alheia ao que me fez calar, e assim, fico calada para sempre, e assim, vou vivendo. Sentindo-me mais morta do que viva, assim vou ficando, assim permaneço, à espera que a voz volte, à espera que o silêncio ma roube, outra vez. Empurra-me, dá-me aquele impulso, que há tanto esperas por me dar; Eu juro que não vou sentir nada, juro que não me vou arrepender, e quando me vires inacabada, totalmente imóvel, incontrolavelmente calada para sempre; Nunca mais te atormento, e tu, nunca mais me atormentas, a mim.

27 setembro 2006

Leva-me contigo...


Inacreditável o prazer que me dá o simples caminho que faço para chegar a casa; Tudo começa com as eternas esperas na paragem do autocarro, em que vejo as pessoas desejosas por fazerem o itinerário que as aguarda, olhando para o relógio vezes sem conta. Ao fim de tanto tempo, lá vem ele; Quando entro, vejo o habitual tipo de pessoas, jovens, velhos, senhores e senhoras muito bem arranjados; oiço as conversas do costume, as queixas que se dirigem ao condutor, por ele se esquecer de parar em certas paragens; as queixas normais, que a vida não está para brincadeiras etc, etc. Afinal são pessoas como eu.
Enquanto vou ouvindo aos poucos os burburinhos alheios ao meu pensamento, começo a pensar o porquê de eu estar ali e não noutro lugar, a pensar por quanto mais tempo é que irei ter que fazer aquele caminho, quantas alegrias e tristezas minhas é que aquele simples banco do autocarro irá presenciar?
Finalmente saio do autocarro, e percorro aquelas estradas longas e cheias de trânsito, a ouvir o barulho forte das buzinas, e a sentir o calor intenso que me atinge, até chegar a casa. As ruas preenchidas de casas e casinhas, cobertas de quintais com flores de inúmeras e das mais vastas cores, flores que a cada dia que passa vão crescendo, e quando passo por elas, parece que sorriem para mim. As velhinhas que quando lhes apetece, me dizem ‘’Boa Tarde menina’’ e eu retribuindo, faço-lhes um sorriso, ainda que forçado e cheio de cansaço.
Cheguei…
Abro o portão do meu doce lar, e aparecem os meus três lindos cães excitados de alegria por me verem, Abro a porta e digo: Mãe, cheguei! Enquanto a abraço e lhe dou um beijinho, ela pergunta-me: Como foi o teu dia hoje? E eu respondo-lhe: Igual a todos os outros, venho cansada; ao mesmo tempo que me surge na memória que afinal o instante que demoro daquela paragem até casa, leva-me a imaginar e a pensar em tantas coisas, esse instante que me arrasta com ele, enquanto me perco ao sabor das minhas profundas e incontroláveis memórias.
O poder que o pensamento tem, tornar aquilo que ao mesmo tempo que parece tão banal (como o caminho até casa) em algo tão especial. O som daquela musica que me acompanha forçando-me a cantá-la para mim, enquanto conto os paços que faltam para chegar ao meu destino.

Pensar, Sentir….
Não sei por que é que isso me acontece, talvez pela mesma razão que não sei por que é que, ás vezes reajo de uma maneira tão inexplicável, a certas situações…
Penso, sim…
Que estou a morrer por dentro…e que estas são…
As minhas últimas sensações, os meus últimos desejos, as minhas últimas alegrias e tristezas…
Os meus últimos momentos…
Que amanhã vão jazer no meu pensamento…


By: Me (mais um desabafo)

19 setembro 2006

Procurei-me...


Não sei onde me procurar...
Não me encontro...
procuro-me
Onde estou eu?
No céu,na Lua ou no Mundo?
Estou perdida, sem caminho para voltar...
Alma tão bela, que não me encorajas a ser,
Dá-me algum sinal.
Quero voltar à terra e ter
Alma no coração.
Quero ser presente.
Quero ser passado.
Quero ser futuro.
Mas...não sei onde está o presente.
O passado morreu.
E o futuro?
Está a viajar nas veias do
Pensamento.
Sonhar é uma ilusão...
mas alimenta.
Entristece...angustia... mas
Alimenta-nos.
A vida é tão curta...por isso,
Nunca digas adeus
Aos sonhos que te surgem
No pensamento.
Pensamento?!Mas... afinal
Onde se alojou o sonho?
no pensamento ou no coração?
Não encontro explicação...
Para quê encontrar-me,
Se viver não faz sentido?
Para quê viver,
Se não há mais nada para encontrar?
Como posso encontrar os outros
Se nem eu própria me encontro?
Procurei-me em todo lado,
Procurei-me em todos,
Mas só me encontrei em mim mesma!
Perdemos o sentido de viver,
Pois não há maneira de acalmar o coração.
Viver na terra só com o corpo
Não tem qualquer sentido.
Por isso alma...vai-te encontrando,
Porque a vida passa
E eu não quero perdê-la!

By: someone ( nao encontrei o autor), contudo, gostei do texto; identifico-me com ele...

Quero-me de volta...


Saí de casa com o friozinho na barriga, tinha medo das reacções de toda a gente, tinha medo de como seria encarar a tal diferença a que eu não me sujeitei, mas que sem querer fui arrastada por ela. Entrei, sem dar-me conta que já lá estava e nada podia fazer; tive a sensação estranha de não conhecer ninguém, sentia-me uma autêntica intrusa. A manhã estava a corresponder ás minhas expectativas, as apresentações habituais, o ‘’julgar ’’ aqueles que nem conhecemos, as palavras como ‘’matéria’’, testes, a entoarem tão mal ao meu ouvido, os cadernos por estriar, a caneta que faz doer as mãos de escrever meia dúzia de palavras, a letra feia e destreinada, o calor a esturricar-nos os miolos, os sorrisos cínicos dos professores que fazem-nos acreditar que o ano vai ser um mar de rosas. Nos intervalos, os olhares atentos postos naqueles que são novos na escola, as conversas de sempre à volta daquela mesa redonda. E assim vai ser o resto do ano, até que nos rendemos à monotonia e ao cansaço e já não temos nem tempo, nem paciência para nada. O que não esperava, foi que algumas das atenções, foram viradas para mim. Que mal é que tem a mudança? Para melhor ou pior, é igual, então a nível físico, será que ninguém entende, que por muito que eu mude de aspecto, que vou ser sempre a mesma pessoa, se calhar com outra maneira de pensar, com qualidades ou defeitos adquiridos, mas sempre a mesma pessoa. Odeio aqueles sorrisos e elogios que por muito sinceros que sejam, soam-me sempre a falsidade e a cinismo. Ser o centro das atenções, nunca foi um objectivo meu, nem por um minuto, quanto mais num dia.Sou assim, não gosto e pronto. Porquê? Tenho culpa? Já começo a ter saudades de estar no meu ‘’mundinho’’ sozinha, a pensar na realidade e ao mesmo tempo a fantasiar, onde passava despercebida, onde era transparente e onde ninguém me podia tocar, nem fixar o seu olhar penetrante.
Gosto muito da insignificância do meu ser, por favor não ma tentem roubar.
Tempo, devolve-me o meu espectro.

Enfim um desabafo quanto muito, descabido.


No geral gostei do início das aulas, no entanto, iguais a todos os outros anos; mas gostei de ver a minhas meninas que já não via, assim, há muito tempo.

14 setembro 2006



Enfim encontrei a verdade
Dita por um opositor idealista
Que com voz sincera e olhar convicto
Fez-me descobrir que estava errada
Fruto da própria ignorância
Semente da própria luz
Alvo de um mundo perdido
Sentimentos de uma pobre garota
Com quem viveu parte da sua vida
Sobre o mesmo tecto
Sobre a mesma mão
Pois aqui estou eu agora
Num momento de mórbida alegria
Seguida de uma triste decepção
Descobrindo que os meus ideais foram vagos, como o coração de um assassino...
Os meus pensamentos e vontades foram sonhos de uma menina
As minhas armas e verdades não passavam de ilusão
As minhas lágrimas de alegria, eram secas como um deserto...
Um deserto onde caminhei boa parte da minha história
Mas hoje, sóbria e momentaneamente feliz...
Espero que as palavras ditas e verdades descritas, não me façam chorar outra vez.
Pois estou cansada
E não resistirei
A mais um sonho...
A mais uma queda...
A mais uma lágrima.

By: - Marco Aurélio Dantas -


Porque Adorei o texto..
Porque tudo aquilo, é a verdade..

Um vazio que vem sem avisar...

Não sei…
Não sei o quão poderoso tu és, só sei que incides, sobre mim, um grande poder. Consegues soltar o pequeno grande bicho que guardo, bem guardado, dentro do meu insignificante ‘’eu’’. Se ao menos te pudesse tocar, para certificar-me que não passas de mais um delírio meu, de um ser que faz parte da minha imaginação. Mas a verdade, é que eu sei que existes, estás presente nos momentos em que eu menos preciso de ti; ficas a meu lado e fazes de mim tua prisioneira; Desprendes o pavor, o nervoso miudinho e a desilusão, sentimentos a que me habituaste. De repente, apaga-se tudo, e tu fazes-te ouvir da pior maneira, berras ao meu ouvido, e eu aí, como é que posso desprezar o arranhar das minhas unhas na parede áspera, Como? Dizes-me? Eu sei que te fortaleço quando deixo cair uma lágrima que seja; Sei que o meu grito abafado é a consequência de seres tão imprevisível, de me apanhares desprevenida e ficares quieto, a ver a dor a consumir-me. Atacas-me porque sabes que eu sou frágil, sabes que eu não reajo, e que depois, permaneço sossegada a ver o tempo a passar-me ao lado, o tempo que está farto de passar por mim, sem eu o agarrar.
Tens o dom de desfazer tudo num ápice em mil pedaços, porque não precisas de desculpas para me pores à prova. Se ao menos eu pudesse fugir de ti, mas é inútil, estou metida no labirinto onde me puseste, o labirinto onde eu não posso sair quando me apetece, o labirinto mais comprometedor que eu já alguma vez conheci, onde caminho num terreno plano, ao mesmo tempo que metes, com frequência, declives acentuados, à minha frente.
Desisti de enfrentar-te, porque quando o faço eu sei que me magoas o dobro. Inquieta, deixo-me ficar, à espera que te vás embora, sabendo que irás voltar. Até lá, apetece-me cruzar os braços, e esperar que venhas buscar-me, fazendo de mim, a tua próxima vítima. Perto de mim, tenho os lenços de papel, que uso para absorver as lágrimas causadas por ti. Para trás, deixo os bons momentos que fizeste questão de destruir.

E quando te apoderares da minha alma, solta o meu corpo por aí, para que ele possa ser arrastado pelo vento, molhado pela chuva, seco pelo sol brilhante e venerado pela lua.
Agora, apaguei as luzes do meu quarto, olhei lá para fora, apaguei a luz de uma estrela, e fui apagando uma, a uma, por último, apaguei a da lua; fez-se escuro, não oiço nada. Voltaste.

By: Me

09 setembro 2006

O vazio mais que preenchido...

Em plena madrugada, já se fazia sentir aquele calor sufocante que nos faz, por vezes, delirar; a paisagem, ela bela como sempre, recheada de verdura, mesmo que seca, e de vários contrastes de inúmeras cores. No caminho, o barulho monótono e enjoativo, do automóvel. Ao fim de algumas horas, encontro aquilo por que tanto ansiava, a chegada; Cansada, vou descansando da viagem desgastante que fizera. Lá, reinava aquilo a que eu chamo, de paz.
O ar, esse, cheirava a puro, corri sem parar, só para sentir o vento a acariciar-me a cara, aquele vento cheio de calma.
Adormeci a ouvir o barulho ensurdecedor do silêncio da noite. Quando acordei, vi e apercebi-me que era ali que eu queria estar, era ali que eu me encontrava, naquelas vezes em que me perdia, em que quase nem sabia quem eu era; Afinal, todos nós temos um lugar predilecto, um sítio que nos fascina e que nos preenche o vazio, de sonhos e desejos. Foram dias absolutamente inesquecíveis.
De regresso, pairava um sentimento de saudade, Pensei: ‘’Deixei lá a minha alma, deixei lá a pessoa que realmente sou e que sempre fui ’’ .
Aquele sítio, na verdade, é tão especial, parece que está rodeado de energia, e por isso, altera-me, por completo.
E agora, via o por do sol a encadear-me a vista, as andorinhas a recolherem-se e o solo queimado em redor das casas que o fogo não conseguiu alcançar.
Á deitada espreitei pela janela e lá estava a lua acompanhada da sua luz brilhante, a atenuar a imensa escuridão, que eu sentia, e aquela que faz parte da noite.
Nos momentos em que mais quero desaparecer, não consigo tornar-me nem um pouco transparente; eis, que chega o dia da minha ausência, o dia que se prolongou por alguns instantes, de risos, pensamentos, de liberdade. Chamo-lhe ausência inesquecível.


Na foto: Eu e a minha Mãe ( uma das responsáveis que fez com que aqueles dias tivessem sido mágicos, não sendo a habitual e insuportável rotina, a que nos entregamos constantemente; a minha Mãe, uma das causadoras dos meus muitíssimos sorrisos ).

02 setembro 2006

Palavras...


palavras que choram
são lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
são sentimentos que do coração saem.
é a dor que sai do nosso coração
é a paz que alivia a nossa alma
é o fim de um furacão
e o começar da calma.
é o sossego que invade o nosso ser
é o vazio que se sente no peito
são as lágrimas pelo rosto a escorrer
por algum mal que nos foi feito.
lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
e que quando do coração saem
são palavras que choram.


Há dias em que eu me perco a divagar, penso no facto de que se eu e todos nós, vivêssemos com os pés bem assentes na lua e não na terra, se seríamos mais felizes. Neste mundo cheio de realidades duras, se todos nós fossemos ignorantes ao ponto de não termos a noção de nada do que se passa à nossa volta, não viveríamos mais contentes? Há quem o faça, todos os dias, para conter o sentimento de desilusão, de que se tornou este mundo, que aparenta ser tão belo, a nível paisagístico, de fenómenos que não conseguimos explicar; mas que na realidade, nele coexistem verdades tão cruéis.
É nas palavras que eu descubro a profundidade do meu ser; e é atrás delas que eu me protejo, usando uma máscara, ainda que muito sublime. É através dessas simples palavras que eu consigo explicar, à minha maneira, o inexplicável; Elas dizem tudo e ao mesmo tempo tão pouco acerca de uma pessoa; elas tomam o significado que nós lhes apetecemos dar, não têm valor em si próprias; são movidas pela intenção, por meros pretextos. Palavras com duplos sentidos, multifacetadas, aquelas que remetem a verdadeiros equívocos; palavras sem sentido algum, dispersas na atmosfera, que ficam por dizer.

Na minha opinião elas não chegam onde qualquer acto consegue chegar, não magoam tanto como magoam as acções; Para quê palavras ditas inconscientemente, ao acaso com intenções desconhecidas capazes de ferir? Se podem ser escritas docemente, oriundas do nosso subconsciente, do nosso pensamento, da nossa maneira de ser.
São essas palavras que me fazem abstrair de tudo. Que destroem qualquer entrave, que eu possa ter, em relação à forma de me expressar.

Gostava de acreditar que as palavras não passam disso mesmo, de palavras; e é tão boa a sensação de quando as despejamos para uma reles folha, acompanhada de uma caneta cheia de tinta...
para podermos...
escrever...escrever...
sem parar...
As palavras deixam-me leve...e quando as escrevo, solto aquelas que moram há muito, refugiadas na minha garganta, encurraladas, aquelas que ficam presas, quando eu sou impedida de as divulgar oralmente.

Não vás...


Tenho medo de te perder, medo que um dia me abandones sem me dizeres nada, medo de estares longe. Não quero ver-te fraquejar, tu és tão forte e ao mesmo tempo tão frágil. Na hora em que fores a correr com aquela garra que tu tens, e com a boca aberta, mostrando os teus dentes branquinhos e o teu sorriso enorme, não vaciles, continua; porque se eu te vir cansado e triste, sabes que fico assim, também. Fico assustada. Depois, toco-te, falo contigo, como se conseguisses entender-me, tu olhas-me com esses olhos transparentes nos quais consigo ver o meu reflexo, e esse olhar triste que fazes, põe-me a chorar. Sim eu sei, estás velho e farto, tens bigodes brancos; Mas tens sido o meu companheiro durante seis anos, tens sido o meu guarda, o meu guia, o meu protector. Adoro quando me pedes para sair contigo, para irmos passear, adoro quando te dou de comer, amo naquelas alturas em que te dou um miminho e tu aproveitas-te da situação para encostares a tua cabeça no meu colo, e adoro quando corres feito maluco, atrás de mim, e passamos tardes inteiras nisso. É bom acordar de manhã, abrir a porta da rua e tu estares lá para me dares o bom dia. Lembro-me tão bem quando tu te deitavas de barriga para cima, à espera que eu te fizesse cócegas; e agora o tempo que passou, impossibilita-te de o fazeres. Ponho-me a pensar, no que é que tu pensas quando eu desabafo contigo, e o teu silêncio, esse basta-me, servindo de um bom conselho.
E apesar de, por vezes me encheres de baba, de teres aquela mania horrível de meteres a boca ao pé de mim e eu ter que levar com o teu bafo, quando estás cansado; de ouvir o teu rosnar, quando te chateio até me cansar; eu adoro-te e jamais esquecerei os sorrisos que me roubaste, da tua figura quando corres, e o vento faz esvoaçar as tuas orelhas.
Por isso, não te vás embora, não partas; não quero pensar na falta que me irias fazer.
Um grande beijo de rápidas melhoras para o meu melhor amigo, aquela coisinha meiga, tão dócil, que é o meu cão Derby que tem andado doente.
Sei que este texto pode parecer um bocado descabido, mas só quem me conhece bem o suficiente, sabe o quão os meus cães são importantes para mim, são membros da minha família, não os trato como coisas, mas sim como pessoas, que só não pensam e não sabem falar.
Este texto também demonstra o medo desmedivel que eu tenho, em vir a perder alguém, de quem eu tanto gosto. Infelizmente não estamos iminentes dessa realidade.

30 agosto 2006

Um toque de liberdade...

Um passo ao lado, ou um susto mal pregado.
Um salto sem fundo e sem impulso.
Sem chão.
Sem céu.
Meia desencontrada do caminho.
Meia perdida e meia achada.
Um não saber estar parada.
A busca de uma ilusão.
Dos sonhos todos que estão na mão.
Uns olhos fechados.
Uns braços esticados.
Meia embaraçada.
Meia perdida e meia achada...

Mal eu sabia que a vida nos rouba os sonhos...


Aqui, sentada a olhar para o mar, com ele mesmo à minha frente, a observar como ele pode ser, por vezes tão calmo e por vezes tão inquieto e perigoso. Oiço o rebentar das ondas nas rochas, sinto a água a querer arrastar-me, para me levar com ela. Toco nos grãos de areia que existem em meu redor, encontro beatas, e quase todo o tipo de lixo doméstico; agarro bem num bocado dessa areia e atiro-a para cima de mim, e fico à espera que a brisa do mar ma roube. Debato-me numa luta cíclica contra as correntes marítimas; Quero pegar naquelas conchas lindas, de diferentes cores e formatos, mas a água insiste em envolvê-las. Contudo, contento-me a olhar para as gaivotas que ao longe, baloiçam ao sabor das ondas, à procura de algum peixe. Faz-se tarde. Perco-me, completamente, a apreciar o pôr-do-sol, em que observo atenta, ele a desvanecer-se no horizonte. Vou-me embora e levo comigo aquele som viciante das ondas a irem, a virem, a irem, a virem; levo tambem o cheiro que me acompanha durante a minha estadia naquele relevo paradisíaco ( a areia ), aquele cheiro de protector solar entranhado na minha pele, aquele cheiro doce e cativante.
Perto destes fenómenos tão naturais e tão belos, quem é que pode ficar indiferente? Pequenas coisas, é certo; mas fazem-me sentir bem, dão-me a sensação que perto delas, estou segura.


Ali, posso tocar no infinito.

Os meus ultimos textos têm sido repletos de sensações...
Meros desabafos...
Devaneios...

29 agosto 2006

O Silêncio…


Sozinha, vagueio em sítios vazios, que a escuridão conseguiu alcançar; quero descrevê-los tal como os vejo, ou os imagino, mas esses lugares parecem ser indescritíveis. Enquanto avanço, sinto um enorme calafrio a percorrer-me a espinha; o meu cérebro parece não acompanhar aquilo que eu vejo. Tento falar, e o que sai da minha boca é, apenas o hálito gelado que comprova que a temperatura ambiente não é de todo a mais favorável. Viro-me de repente, e lá estás tu, ao fundo de tudo; aquilo que eu mais temo, aquilo que faz com que eu não acredite em nada, em ninguém. Durante muito tempo baptizaram-te de Desilusão, mas nos tempos que correm, tenho a certeza que posso tratar-te por Tu. No momento em que estou frente a frente contigo, naquele momento em que nos confrontamos, apetece-me dizer tudo o que nunca fui capaz de dizer, de proferir palavras ao acaso, formando frases inconsequentes, cujo o significado seria devastador. Pensava que podia magoar-te, mais do que tu me magoaste a mim; mas naquele preciso momento, paira o silêncio (mais um amigo teu e inimigo meu); e depois, resta o meu sentimento de culpa por não ter conseguido quebrá-lo.
A seguir, vem uma, duas, três (as que forem preciso) lágrimas, que nada fazem, que nada resolvem.
O silêncio, (algo estranho, que me assusta), quando sei que ando de mão dada com a traição, quando sei que todos os meus sacrifícios, que pelos quais lutei, são inúteis.
O silêncio é (apetece-me denominá-lo assim) o refúgio das minhas palavras.

28 agosto 2006

In my field of paper flowers…



O meu grito é abafado por um vendaval, a minha mente está cheia de recordações desfeitas pela trovoada, tenho a garganta a abarrotar de palavras embrulhadas e amarrotadas à espera de serem soltas. Aqui sentada a escrever os meus devaneios, não dou pelo tempo passar, enquanto oiço o uivo do vento forte, a derrubar tudo, lá fora. Observo imóvel, como se nada fosse comigo, vendo a destruição a rondar-me, mas não a atingir-me.
Aqui estou, indiferente mas com saudades de pequenas coisas, de pequenos toques, de pequenos cheiros, que me fazem querer viver, que me fazem querer acreditar, que dão um novo rumo à minha vida, quando não sei para que lado é que devo seguir.
A memória, é só um pretexto que tenho para me lembrar de coisas simples e recentes, do tipo: o que é que comi à bocado, ou o que é que fiz ontem; no meu caso não sei se ela abrange um período de tempo tão longo, O tempo, esse fez-me mudar, fez-me apagar memórias boas que trazem saudade, e más, que hoje não passam só disso, de memórias. Fez-me ver algumas coisas noutra perspectiva, noutro ângulo. O tempo construiu-me, e se hoje sou como sou, foi devido a esse tempo que tanto necessitei, Tive um momento sabático na minha vida, que não o trocaria por nada.

Memórias esquecidas, transcritas para papéis amachucados e rasgados, com palavras escritas em vão e borradas pelas lágrimas.
O tempo faz questão de apagar tudo, se deixarmos, e aí, a memória de nada nos serve.

25 agosto 2006

Murmúrios utópicos


Entrei,
E vi a verdade nua e crua.
A cor do medo,
A fúria da vitória
Empurrando-me para a frente.
Gritei e ouvi o eco do meu grito
Abanar o mundo e sacudir as estrelas.
Ergui os meus braços para a noite escura,
Ainda mais clara que a minha alma,
E chorei de alívio e raiva
Por me livrar da minha inocência.
Castiguei as minhas perguntas,
Respondendo-lhes...
E senti a chuva purificar-me até aos ossos.
Senti vontade de explodir,
De me desintegrar em mil pedaços,
Que formariam depois uma pessoa qualquer!
Dancei com o meu medo
E lutei contra a minha sorte.
Fechei os olhos e quando os abri...
Já não tinha mais alma!...
Ela anda perdida por aí...
Cinzenta e solúvel como o nevoeiro,
Soando tão só como o toque dos sinos de madrugada.
Deixou de ser minha prisioneira,
Escrava dos meus complexos e receios
E advogada dos meus sonhos e sentimentos.
Está livre e solta...
Forasteira e escorraçada,
Como se tivesse raça, cor ou sexo.
De canto para canto,
Ignorando a verdade que eu vi e conheço.
Trocámos de lugar... Sou eu que estou do outro lado do espelho agora.
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Estou no meio de paredes nuas, que eu própria despi, brancas, pálidas e rugosas; de uma janela que raramente consegue deixar passar raios de luz; debaixo de um tecto enfeitado por um candeeiro de luz artificial, debaixo de um tecto que teima em desabar e cair-me em cima; em frente de um espelho que reflecte a imagem de uma pessoa irreconhecível; no meio daquela mobília de madeira que continua no mesmo sítio, e num estado igual ao do primeiro dia em que a vi, apesar dos anos terem passado, não se lhe nota o desgaste, nem a deteorização; atrás de uma cama rígida; sentada num chão escorregadio que insiste em fazer-me cair; estou a olhar fixamente para aquela porta que está fechada, quero abri-la; tenho a sensação de que o que vejo não é verdadeiro, pareço uma câmara que capta a imagem tão lentamente, que acaba por ficar desfocada, tenho medo da luz se apagar a qualquer momento. No meio desta imensidão de acontecimentos, de situações vastas que tendem em continuar, parecendo inacabáveis; de choros; de pensamentos; de palavras, frases, actos lançados ao acaso e esquecidos pelo tempo. Quatro paredes que confidenciam tudo isto, num silêncio absoluto, ouvem os meus piores medos e receios, todos os meus pesadelos, os meus poucos momentos de felicidade, de sorrisos, risos e gargalhadas, todos os meus segredos, e anseios.
Quando lá estou, sei que posso abstrair-me de quase tudo, posso gritar ou até mesmo berrar.
Nessas quatro paredes vejo um apoio extremo, que me aquece quando eu arrefeço, quando estou gelada; nelas vejo um ombro amigo. E essas quatro paredes fazem parte do meu quarto.
Despi e horrorizei aquele a que eu chamo de ‘’o meu cantinho, o meu espaço’’, o único sítio onde eu me sinto verdadeiramente bem.
Tenho saudades de adormecer a ouvir os pingos de chuva a colidirem com o telhado, tenho saudades de olhar pela janela do meu quarto, de onde posso ver e imaginar tudo, onde me perco, horas e horas a sonhar.

21 agosto 2006

Dentro de mim...


Quero o meu bem; O das pessoas que me rodeiam; Daquelas que me fazem mal mas que eu não consigo odiá-las nem ter um pingo de rancor ou de vingança; O bem daqueles de quem eu gosto; Daqueles que eu conheço mas que me são indiferentes; Daqueles que eu nem sei que existem; O bem de todos…E quando falo em Bem…é o de ter Sorte e Saúde na vida, porque o resto vai-se construindo, aos poucos e poucos; E desses dois pontos, quando um deles falha, falha tudo…e ter sorte e saúde é Tudo, todos nós vivíamos num mundo encantado, acredito que se evitava muito sofrimento, mas como não se pode ter Tudo, temos de nos aguentar a viver na imperfeição, lutando a todo o custo para cada dia sermos pessoas melhores; As frases: ‘’Ninguém é perfeito’’; ‘’Errar é humano’’, e muitas outras, têm uma certa razão, mas para muitos só servem de desculpas, que fazem com que não se esforcem, continuando a errarem; Contudo, é certo, que não se deve julgar ninguém, ninguém tem esse direito, porque não nos podemos pôr na cabeça de outra pessoa, porque nunca sabemos como é que ela pensa, e o que pode ser certo para ela, pode ser tão banal para nós como atravessar a rua; e não é certamente com violência, com insultos que as coisas se resolvem, porque nunca sabemos se no lugar dessa pessoa não teríamos feito o mesmo, devemos compreende-la, tentar percebe-la, pormo-nos no lugar dela, por muito difícil que isso seja ( e eu sei que é muito mais fácil dizer e escrever isto, do que pôr em prática, na realidade, no dia a dia ), mas é a minha forma de pensar, de hoje e de há algum tempo, não digo que estou certa em relação ao que penso, mas sei que tudo isto faz sentido, para mim.

E ontem acreditei em tudo outra vez, em mim, na vida, Pensei naquelas pessoas que estão longe, mas que não deixam de ser especiais e de preencher o vazio que ás vezes sinto, O ar tinha um cheiro diferente, puro e agradável, ouvia com atenção o som da erva seca debaixo dos meus pés, á medida que a ia pisando, O vento fresco a bater-me na cara, a paisagem a meu redor, as nuvens pareciam que estavam mesmo perto de mim, pareciam algodão doce, tinha vontade de trincá-las, as flores e até mesmo as ervas daninhas, as árvores, todos os bichinhos, as formigas, os mosquitos, pareciam-me tão frágeis, tinha medo de lhes tocar, tudo estava tão diferente, tão belo, tão perfeito; voltei a dar um novo sentido ás coisas, sentido esse que não é o óbvio, não é o real, mas sim aquele que eu atribuo; ontem deu-me vontade de cheirar, de ouvir, de tactear, de ver e de sentir o sabor;

Porque nesse dia, o meu quarto tinha sido invadido por uma luz fora do vulgar, transparente, reluzente, translúcida, sem nenhuma partícula de pó, luz essa que veio sem avisar, que depressa atravessou o vidro duplo da minha janela; que me fez saltar da cama.
Essa luz que me segura quando eu estou prestes a cair de um abismo.
Estou eternamente grata a esse fiozinho de luz, que um dia ousou romper pelo meu quarto a dentro, que me deu forças e que fez renascer em mim aquele conceito tão lindo da vida, que já há muito o tinha perdido…
Se vai ser por pouco tempo, ou por muito, não sei, quem o dirá…
Mas foi bom ter vivido isso,
Outra vez…

Texto feito por: Mim…como todos os outros!

15 agosto 2006

A morte...



Não há dia, não há semana, em que eu não tenha de viver com esta pressão, coisas que não param de acontecer, coisas que eu vejo, que eu ouço; palavras com significados devastadores, mas mais do que isso, tudo o que acontece é que tem um poder persuasivo em mim. Pessoas que eu amo, hoje estão bem, amanha estão perto da morte; acidentes horríveis, que tenho de presenciar, na estrada, cada vez que vou para algum lado; noticias de mortes macabras, nas guerras, numa aldeia pacata, enchem os noticiários, os jornais e revistas; enchem-me os ouvidos de desilusão.
Sinto-me fraca, amargurada, incapaz, porque não posso lutar contra ela, ninguém pode. De uma maneira mais trágica ou menos trágica, numa hora ou noutra, num dia ou noutro, num lugar ou noutro, numa idade ou noutra, numa mulher ou num homem, numa pessoa má ou numa pessoa boa, Ela persegue-nos, e quando não nos consegue apanhar, fica a espera do golpe final para acabar connosco de vez, enquanto isso, ela faz-nos sofrer a nós e a todos os que nos rodeiam e que nos amam. Depois de tudo, já não se sente nada, da parte dos que partem, fica apenas a dor, a saudade, o amor e a recordação, dos que ficam. Ela rouba-nos o essencial da nossa vida. Como é cruel, não é?? Podemos lutar contra tudo, menos contra ela; e Ela está a tornar-se cada vez mais poderosa, está a tornar-se a realidade do mundo, de hoje em dia, de todos os dias. Ela consegue fazer-me uma grande pressão, pressão essa que me leva a questionar, se devemos lutar por aquilo em que acreditamos, se vale a pena, Porque de um momento para o outro tudo acaba, tudo desaparece, ficamos sem nada, sem a nossa protecção. E quando ela chega para me roubar alguém, acabaram-se os porquês, porque nesta vida nada tem uma resposta definitiva, nada é tão absoluto quanto ela. Nestas alturas apetece-me tanto ir para aquela ilha, que reservo durante os meus sonhos, apenas Eu a paisagem e mais ninguém, onde fico Sem estas pressões, que me levam à exaustão.

11 agosto 2006

I will try to be strong


Vou caminhando por aquela rua estreita, imunda, silenciosa, com lâmpadas que a iluminam durante as noites escuras, adoro passear por lá, conheço-a bem sabes? Chego ao fundo da rua e não há continuação, há um beco sem saída que faz questão de encurralar-me. Mas quando chego ao fim da rua, sei que cumpri a minha tarefa, volto para trás e envolvo-me na escuridão, piso o vidro estilhaçado que vou encontrando, corto-me, oiço ruídos que me assustam, quero fugir, mas não consigo, escorrego numa poça de água, caio, deixo-me ficar naquele sitio, os pensamentos começam a atordoar-me o pensamento, choro, e choro sem parar, No fim, pergunto-me se o facto de ter chorado resolveu alguma coisa, não, não resolveu, resolveu apenas para descarregar tudo o que sentia naquela noite, naquele momento, mas sabia que havia de vir mais dias e noites como essa, em que eu tinha de descarregar tudo outra vez, da mesma maneira. Mas não, da próxima vez eu prometo que não vou chorar, prometo que irei ser forte e que não me vou deixar apanhar pela noite escura, pelos pensamentos horríveis, pelo choro inútil. O som das lágrimas a caírem-me pelo rosto, o meu soluço a entoar aquela rua, as minhas mãos geladas a taparem-me os olhos, o arreganhar dos meus dentes, o meu corpo a tremer de frio e de medo, o medo de estar sozinha, o medo daquele silencio. Eu prometo que irei ser forte da próxima vez.

07 agosto 2006

Maybe...one day...





















Farta de gritar, e ninguém me ouvir, só ouço o som de um eco a desgastar-se aos poucos e poucos, à medida que vai soando sem forças, Como se estivesse a gritar, ao mesmo tempo que caio num poço bem fundo e sem luz. Ninguém me ouve, sinto-me sem vontade para nada e ao mesmo tempo com vontade para tudo, Para mudar, o que me falta é a coragem, melhor dizendo, a confiança, já não confio em nada, em ninguém, Não sei se não será melhor dizer, que me falta Tudo. Sinto-me a tropeçar, a cair e a aleijar-me sem ter forças para depois me levantar. Preferia estar de olhos vendados,sem pestanejar. Sinto-me encurralada, quero continuar, mas existe algo que me impede, e esse algo, eu sei que reside bem dentro de mim, esse algo é um parasita que me suga as forças e por vezes a alma. Sinto-me a fraquejar, cambaleando em todos os sítios por onde eu passo, Sinto o olhar gelado de todas as pessoas que me olham, sinto o ódio e a raiva a morarem mesmo ao meu lado, sinto o rancor e a vontade desmedida de vingança, a adormecerem comigo, Sinto a ilusão, o amor, a bondade a dormirem comigo, naqueles sonhos profundos que eu gostaria tanto que fossem reais, sinto a desilusão quando acordo e vejo que tudo não passou de uma grande mentira.
Sinto-me a fracassar…
Sinto-me a desmaiar…
Sinto a queda….sem ter ninguém para me agarrar, para me segurar, para me ajudar…para me apoiar…
Desfaço-me,
Estou a decompor-me aos poucos….

04 agosto 2006

A insegurança é...



Algo que me é quase impossível de descrever, algo que me arrasta há muito tempo, algo que me bloqueia impossibilitando-me de fazer o que gosto e aquilo em que acredito, algo que me magoa e que me corrói por dentro, algo que eu não quero ter…mas tenho…algo que me assusta…que me põe muito medo…Algo que eu queria combater…mas não consigo…porque não sei como combate-la….algo inexplicável…algo que eu não sei quando é que vai passar….se é que vai passar….Algo que eu não noto na realidade…mas quem está de fora nota….Algo que me impede de acreditar em mim mesma….Algo que me destrói…afastando todas as pessoas, que eu julgo gostarem de mim…Algo de que eu não tenho culpa…Simplesmente…..faz parte de mim….

03 agosto 2006

Não há o Limite...


Palavras impensadas … Actos imperdoáveis … Imortalizados na escassa memória … De quem os praticou … De quem deles foi vitima … Palavras proferidas no meio da mortalidade do ser …. Na fragilidade de um corpo … Na delicadeza de um simples beijo … Num impensado acto de vingança …. Apenas e simplesmente farta deste mundo … Mundo de mentiras … De realidades maldosas … De amores imperfeitos … Sinto que já não sou tão forte como queria … A minha determinação está a desfazer-se … A minha vida está a desmoronar-se … Só vejo a escuridão … Acho que a minha luz foi roubada … Encontra-a por mim … Já não tenho forças …


Pensamos, Dizemos, Agimos, tudo sem pensar..magoando-nos a nós e a todos á nossa volta..
Vivemos toda a vida com a esperança morbida de encontrar a perfeicão....o problema, é que ela nao existe...Ok...sim, existe mas só na nossa capacidade inutil de imaginacao e de esperanca..onde é que isso nos leva???....a nada....só depois de termos caído de um abismo, termos batido lá bem no fundo e nos despedaçarmos...é que nos apercebemos de que o facto de termos lutado por tudo o que queremos...só serviu para nos magoarmos, Mas o nada, é tao subjectivo, mesmo que tentemos e nos venhamos a magoar nada é inutil, porque por muito que alguma experiencia nos corra mal, podemos sempre tirar alguma coisa de positivo, sei que ás vezes essa positividade nao está bem á vista, mas temos de procura-la...e eu sei que é muito mais fácil dramatizar uma coisa que á partida é dificil....mas que na verdade é facil de suportar....que nao tem qualquer importancia....mas o fácil e o dificil de suportar depende de cada um de nós, é por isso que eu repito as vezes que forem precisas, Tudo é tao subjectivo.....é por isso é que há alturas em que eu penso, que nao vale a pena fazer nada para continuar.....apetece-me ficar aqui quieta, como se estivesse a hibernar, ver as coisas a acontecerem, e nao fazer nada, mas essa nao é a solucao....porque se eu nao tivesse pessoas de quem eu gosto e que me rodeiam....podia ficar quieta....sim....mas ficando quieta....tudo o que acontecesse aos de quem eu amo....de bem ou de mal....antigir-me-ia....por isso....ninguem consegue estar quieto...nem eu....isso é uma de tantas outras necessidades que o ser humano tem....mas cada vez mais me mentalizo...que.....estamos cá só para desempenhar as necessidades....de nascer...crescer....comer....beber.....amar....sofrer....envelhecer....e morrer (se bem que...infelizmente...há quem nao chegue a desempenhar todas essas necessidades)....O mundo podia ser um sitio bem melhor para desempenhá-las...mas nao é....todos os dias ouvimos falar de guerras...de mortes....todos os dias há maldade...só nos sabemos bombardear uns aos outros.....
Somos todos tao diferentes....mas porque é que nao temos um desejo em comum...só um que seja.... insignificante neste mundo de desejos e de ambicoes desmedidas....Mas bem significativo para cada um de nós... A Felicidade Geral...Não basta vivermos no nosso mundinho isolado de tudo e todos...com as nossas ''preocupacoes'' que por vezes sao dificeis ou impossiveis de resolver e de suportar....se nao...ter que levar com a infelicidade que reina neste mundo...que me preocupa e assusta-me terrivelmente....Aonde é que isto vai parar??...nao há o limite......há apenas a nossa ilusao de poder mudar o que está errado...de poder ser feliz...mas a felicidade pode ser efémera....e mesmo que nao o seja, nunca somos felizes a 100%...há sempre algo de errado.....

20 julho 2006

Tudo sem Beleza, Tudo escuro


Se as coisas fossem perfeitas…
Não existiria lições de vida.
Não haveria arrependimentos,
Nem descobertas...
Se tudo fosse perfeito,
Mãos não se uniriam
E sonhos não eram valorizados.
Se tudo fosse perfeito,
Olhares não se completariam
E gestos passavam despercebidos.
Se tudo fosse perfeito,
As lágrimas não existiriam,
As palavras seriam perfeitas...

A vida…o que é que isto é?...Realmente ninguém sabe ao certo, a vida é tão complexa, que prefiro não querer entende-la e simplesmente prefiro ficar-me pelo significado que ela tem para mim. Não devíamos perder tempo a pensar sempre o porquê das coisas acontecerem, porquê isto, porquê aquilo….devemos …..sim….. agir de forma positiva, continuar em frente sem olhar para trás, mas aí é que está, porque é que o passado por vezes interfere tanto no nosso presente e futuro, porque é que o medo não nos deixa agir? Tentar….continuar a tentar…..nao desistir….nao podemos fazer outra coisa na vida? Passamos a vida a fazer isto? Para que??....nao há estabilidade?? Tentar ….sofrer…..continuar a tentar…..sofrer….medo…..e desistimos, e é assim que eu me sinto……não quero tentar arranjar explicacoes, apenas queria ser feliz, não que eu seja infeliz, porque a felicidade é tão subjectiva, que passamos a vida a lamentarmo-nos que não somos felizes, mas se parássemos para pensar e deixássemos de olhar tanto para o nosso umbigo….víamos que há pessoas, milhões de vezes mais infelizes do que o nosso simples e absurdo conceito de infelicidade.

Dou por mim a pensar em nada….a perder-me no vazio, já não olho para as coisas de uma maneira cor-de-rosa, mas sim, real…….por exemplo: para mim, o mar era sinonimo de tranquilidade e de magia, Hoje, vejo-o simplesmente como uma camada de água salgada que faz parte da extensa massa oceânica que envolve o planeta terra. É o meu instinto de realismo que está a vir ao de cima, cada vez mais; talvez já não viva naquele mundo, que todos gostam de viver, cor-de-rosa, cheio de ilusões, de ignorância e inocência; mas eu era assim. Olho para as pessoas á minha volta e vejo-as simplesmente como seres humanos que têm necessidades, que por vezes têm atitudes muito erradas, tal como eu.
Estes pensamentos podem parecer serem vindos de uma pessoa que está sozinha no mundo, e por vezes é assim que eu me sinto, a perder todas as minhas forças, a perder cada parte de mim….do meu ser….quando estou a apreciar, sozinha, a noite calma, silenciosa e obscura, é assim que eu me sinto, sozinha com o silêncio, e ele assusta-me. Mas não, como posso eu estar sozinha, se há todos os dias, pessoas que me fazem sofrer, que me desiludem, que me pressionam, que só me sabem criticar, que não me entendem, que por estranho que pareça, que eu amo e adoro, acima de tudo e todos; mas essa minoria não chega, lá diz a celebre frase: O Sol aquece-me, mas a Luz dele já não é suficiente para me aquecer; Sinto que todas as atenções, estão uni exclusivamente voltadas para mim…Ás vezes só me apetece isolar-me de tudo, de todos, e ir para uma ilha deserta, onde pudesse viver em paz, em liberdade, com calma , sem pressões, sem criticas, sem horários, sem sofrimento, sem preocupações, sem desgraças, sem pressa para crescer( continuar criança para sempre); Perder-me no vazio que há em mim e á minha volta.

Quem disse que a vida é fácil?
Mas houve quem dissesse que Ninguém é perfeito, e que toda a gente erra…

Porquê esta mania de pessoas se acharem perfeitas em tudo, e criticarem os outros? Porquê???

04 julho 2006

O Cabelo e a Vida




Aqui estou eu, frente ao espelho
Deparando-me com a minha triste, desgastada e distante figura
Penteando o meu cabelo
Querendo estar a penteá-lo para o resto da minha insignificante existência
Ele está liso e brilhante, como nunca antes estivera
Não há nós no meu longo e negro cabelo, logo, não terei de desembaraçá-los
Não há cabelos partidos ou comidos pelas excessivas lavagens, pela velhice ou cansaço
Não me importava de continuar com este gesto monótono para todo o sempre,
Onde me confrontava com o meu próprio ‘’eu’’, cada vez que visse a minha figura emergir no espelho, penteando o meu cabelo
Sem nós, sem embaraços, um caminho liso e longo, sem fracturas, cheio de brilho
Esta comparação, entre palavras tão diferentes, separadas por uma linha tão ténue
O Cabelo e a Vida

Assim fosse a minha vida, assim fosse a vida de todos nós.


By(Por): Me

When(Quando): à noite, estava frente ao meu espelho a pentear o meu fraco cabelo, e reparei que ele estava sem nós, brilhante, inconfundivelmente diferente dos dias habituais, foi essa a minha inspiração para este texto, foi um ‘’click’’. =)


O motivo pelo qual decidi criar este blog, foi para mostrar o que sinto, o que penso, o que defendo acerca de alguns temas desta tão complexa existência.
Tenho muitas dificuldades em escrever o que sinto, quando tenho os meus pensamentos no meu subconsciente, parecem ser tão nítidos, mas quando os passo para uma folha de papel ou para uma página da net, parecem não fazer sentido algum. Talvez devido ao facto de que não sou muito objectiva nos sentimentos que escrevo, pior ainda, quando tenho de os divulgar a alguém, ou a um numero de pessoas; escrevo e digo tudo ‘’muito à volta’’ da realidade e do significado que esses sentimentos tem para mim, talvez porque ao mesmo tempo que escrevo e sou certa daquilo que penso, ao mesmo tempo também sei ver sempre o outro lado das coisas, não só o que são na realidade mas aquilo que podem vir a ser, é por isso que nos meus textos estou sempre a usar tantas interrogações, não consigo aceitar que haja frases que tenham só um significado, por isso também não consigo conceber que haja só uma forma de pensar em cada pessoa que seja fixa, não acredito que haja só um ‘’caminho’’.
Conheço tanta gente que sabe bem como dizer o que sente, mas embelezando de uma forma o que diz, que torna tudo tão bonito, que ‘’mexe’’ com a pessoa que vai ler, o mesmo acontece quando alguém fala de um sofrimento e fá-lo com palavras tão ‘’pesadas’’ mas que mesmo assim, embeleza o texto, e emociona-nos.
Vendo tudo nesta perspectiva, eu não tenho jeito nenhum para escrever, para expressar os meus sentimentos, falo de tudo muito superficialmente, baralhando tudo, deixando confuso quem lê, assim, terá sido inútil criar este blog?
Espero vir a melhorar este meu ponto fraco, melhorar expressando melhor os meus sentimentos. E é a tentar que melhoramos, e a errar também.

Quando despejo os meus pensamentos para uma página ou para uma simples folha, parece que tudo faz sentido. Quando acabo e leio o que escrevera, onde é que está o sentido disto? Foi inútil. É inútil.

03 julho 2006

A Luz ao fundo do túnel


Um dia eu pensei que poderia ficar bem.
Pensei que as coisas pudessem ficar certas.
Que não precisaria mais de me 'acabar'.
Que não precisaria mais de tempo.
Não sei se escrevo, se choro, se ouço música, se me esforço. Não sei.



Bom, agora vocês dão-me licença. Vou procurar a minha melhor roupa. Vou tomar um bom banho, secar os cabelos. Depois vou me maquilhar, vestir-me, pôr perfume (aquele com cheiro de baunilha). E só depois de estar bem bonita, vou ganhar impulso e lançar-me do quarto andar. Obrigada pela atenção.


Há momentos em que estamos num sofrimento permanente......pessoas que adoramos...em que acreditamos....fazemos tudo por elas....e elas nao fazem nada por nós.....e outras que ate nem sao importantes....mas que provam que este mundo é feito só de pessoas más, sem sentimentos.....que estao constantemente a desiludir-nos....quando nao temos ninguem para nos ajudar a sair deste buraco.....onde só nos sabem é deitar abaixo e criticar....onde??? onde é que vamos buscar forças para nao nos irmos abaixo…e continuar....para ter um apoio em que podemos descansar e nao cair....podermo nos agarrar….É dificil....mas acredito que nao seja impossivel....mas onde???? Vou ter de aguentar e quando nao puder mais......paciencia......Sorrio....e com uns grandes sorrisos escondo o que me faz sofrer....e sou feliz assim....
Situacoes como estas so me fazem pensar que tenho de abrir a pestana e deixar de ser assim....tenho de alterar o meu feitio de ser ingenua...de acreditar que todas as pessoas sao boazinhas....Tenho de deixar de fazer pelas pessoas aquilo que sei que elas nao eram capazes de fazer por mim...


Devemos procurar sempre a luz ao fundo do túnel….ela existe….mas enquanto se vai caminhando ate encontra-la temos de sofrer mto…..e por vezes demora tempo a encontra-la…..mas acredito que nem que seja la bem no fundo do túnel….ela está la…..

E não eh a fugir dos problemas que eles se resolvem….devemos encara los…..mas eh o ke para nós eh o mais pratico, o mais acessível….embora que mtas das vezes não somos os causadores das nossas angustias…..mas sim outras pessoas que fazem a questão de faze-lo por nós…..que nos magoam e muito…..e é assim as coisas acontecem quando menos esperamos e quando acontecem eh pk tem ke akontecer….coisas inexplicáveis…..que não comandamos.......
O que para mim faz sentido…para outra pessoa pode não fazer….o que para mim Hoje faz sentido….Amnh pode nao fazer
…..Por isso….e por outras tantas razoes….os habitantes deste mundo….sao tão complexos…..tudo nesta vida eh tão Relativo…..

Uma das nossas tarefas….eh saber lidar com a mudança….saber lidar com o que a vida nos põe a prova….de bom ou mau…..
Mas há quem não saiba lidar com certos acontecimentos inexplicáveis….surreais….sinistros…e inevitaveis de acontecer…enfim…..

Mas pronto…..acredito nessa luzinha que existe bem la no fundo deste vasto e comprido túnel…….


01 julho 2006

A tua imagem ainda persiste



E agora diz-me se já decidiste
O tempo voa e a tua imagem ainda persiste
Ainda sinto a nossa chuva mágica a cair
Tens o tempo de um cigarro se ainda quiseres partir
É como andar no deserto,
Sempre tão longe e tão perto
Olho à minha volta,
o mundo é tão incerto
Quero-te dizer que não vai dar
Quero só saber se vens ou queres ficar
Eu sei que não vou partir sozinha
Sinto o vento, sinto a estrada, sinto o fim da linha.
Tudo passa, voa como folhas de jornal
Meia volta, pára como um carro no sinal.
É como andar no deserto,
Sempre tão longe e tão perto
Olha à tua volta,
o mundo é tão incerto
Quero-te dizer que não vai dar
Quero só saber se vens ou queres ficar
Quero-te dizer que não vai dar
Quero só saber se vens ou queres ficar
Se vais ou queres ficar…
Se vais ou queres ficar…


By: Lúcia Moniz ''Chuva''
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-amt mt mt
-sera k tbm me amas kmuh dizx?
-sera k ja demx tudo o k tinhamx a dar 1 ao outro?
-sera k vale a pena tentar, nem k seja so + 1 vx?
-sera bom kada um seguir a sua vida?
-sera mlhr akabar pr aki?
-so sei k sera buex dfcl deixar d te amar...Amt mtmt, nka te vou xkecer
-agora k te perdi, sera para sempre??? =(

Para: Ti...(É difícil apagar-te do meu pensamento.....Há vezes que vais.....mas porque é que voltas sempre e atormentas a minha paz interior??...a minha calma....eu não quero que voltes...mas é inevitável....tu voltas sempre sem eu querer....Foi Lindo e eu nunca esquecerei a nossa ''Chuva Mágica a cair''...a magia que persistia em nos envolver.....mas tudo acaba quando menos esperamos, é bom enquanto dura...e num momento tudo pode mudar....a nossa vida dá uma volta de 180 graus e deixa-nos em circunstancias em que nao sabemos como dar a volta por cima....nem sabemos como continuar....mas há momentos em que tudo se apaga e queremos desistir......a unica coisa boa é que se aprende com os nossos erros....e eu aprendi =) )
Na foto: Eu.......// simplesmente pu-la aqui porque era a tua preferida.....

By: Me
To: You