Um passo ao lado, ou um susto mal pregado.Um salto sem fundo e sem impulso.
Sem chão.
Sem céu.
Meia desencontrada do caminho.
Meia perdida e meia achada.
Um não saber estar parada.
A busca de uma ilusão.
Dos sonhos todos que estão na mão.
Uns olhos fechados.
Uns braços esticados.
Meia embaraçada.
Meia perdida e meia achada...
Mal eu sabia que a vida nos rouba os sonhos...
Aqui, sentada a olhar para o mar, com ele mesmo à minha frente, a observar como ele pode ser, por vezes tão calmo e por vezes tão inquieto e perigoso. Oiço o rebentar das ondas nas rochas, sinto a água a querer arrastar-me, para me levar com ela. Toco nos grãos de areia que existem em meu redor, encontro beatas, e quase todo o tipo de lixo doméstico; agarro bem num bocado dessa areia e atiro-a para cima de mim, e fico à espera que a brisa do mar ma roube. Debato-me numa luta cíclica contra as correntes marítimas; Quero pegar naquelas conchas lindas, de diferentes cores e formatos, mas a água insiste em envolvê-las. Contudo, contento-me a olhar para as gaivotas que ao longe, baloiçam ao sabor das ondas, à procura de algum peixe. Faz-se tarde. Perco-me, completamente, a apreciar o pôr-do-sol, em que observo atenta, ele a desvanecer-se no horizonte. Vou-me embora e levo comigo aquele som viciante das ondas a irem, a virem, a irem, a virem; levo tambem o cheiro que me acompanha durante a minha estadia naquele relevo paradisíaco ( a areia ), aquele cheiro de protector solar entranhado na minha pele, aquele cheiro doce e cativante.
Perto destes fenómenos tão naturais e tão belos, quem é que pode ficar indiferente? Pequenas coisas, é certo; mas fazem-me sentir bem, dão-me a sensação que perto delas, estou segura.
Ali, posso tocar no infinito.
Os meus ultimos textos têm sido repletos de sensações...
Meros desabafos...
Devaneios...
Um comentário:
Realmente o mar transmite-nos uma calma inigualável. Aquele arsinho fresco, que luta para furar o calor, e nos atinge nas faces é tão bom.
Muitos dos meus textos, também são desabafos, uns mais objectivos, e outros não. Por vezes sinto-me mais segura em esconder-me por detrás de palavras subjectivas e de ideias que para as pessoas que lêem parecem absurdas e confusas... para mim fazem todo o sentido. Sei que se passa o mesmo contigo.
Nunca páres de lutar, nem de desabafar.
Um beijo grande da cozinheira.
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