18 janeiro 2010

(In)Quietude


R de reverência, razão, rebeldia
Que se frustra num sono leve
Emaranhado em poesia,
Que se ofusca num embate e pede
Acalento e maresia
Da imensa e tamanha plebe
Que se afunda em heresia.

De um troço destroçado emerge
Um grito de euforia,
Que se esbate ansioso e bebe
Um trago de ironia,
Amarrotado, aclama e segue
Na melódica sinfonia,
Que abafada, ao silêncio entregue
Repousa em agonia.

Sentir que não sentia, aquece
Rir do que não ria, entristece,
Que insónia maldita seria
Ao dormitar num leito
Onde tudo se refazia
Enlouquece.

Cedo amanhece,
Trazendo o sol que erradia,
Humedece a magia
Com palavras vãs em simetria,
Oxalá não trouxesse, antes anuncia
Insensatez,
Um ímpeto de oligarquia,
Talvez tivesse.

Corpo que arrefece e renuncia
Adormece na hipotermia
De uma alma que cede
Extasiada na mentira
Implorando clemência, recebe
Em troca asfixia
Que amordaça e silencia
Preces que tece em harmónica
Nostalgia.

Era assim que me queria,
Parece
Hipocrisia
Anoitece o iminente dia.
Vera Monteiro
17 de Janeiro de 2010, entre as 2.25h da manhã e as 2.53h, apeteceu-me saborear um registo que nunca havia experimentado, um registo bem diferente, que foge, em tudo, à regra. Resultou, é certo, da ansiedade, da insónia, da confusão, mas serviu para me apaziguar. Não me revejo na poesia, não visto o título de escritora, muito menos o de poeta, mas gostei da experiência que me despertou o sonambulismo.