28 fevereiro 2011

A pequenez...

assoma-se à porta dianteira
E sem mais nem porquês,
Feita trepadeira, insurge-se matreira
Não aguardando a sua vez.
Com requinte de malvadez
Interesseira, tão insípida de prudência
Desprovida de sensatez
Desboca em maledicência e mesquinhez.

Espreitando pela janela
Coloca-se de sentinela,
Corrói o soalho encerado
Enfurece a dança de um candelabro
Abrilhantado e ofuscante
Docilmente baloiçante,
Fazendo estremecer a moribunda estante
Estilhaçando o espelho emproado,
Pobre coitado, ao ser quebrado.

Inoportuna,
Ascende, empertigada à tribuna
Irrompe em assaz tumulto,
Eleva a voz em sinal de luto,
Expelindo a poeira acumulada
Que jazia amedrontada
Deixando-a destroçada,
Quando outrora repousara imaculada.
Despe a cal que vestira o mural,
Coloca-se no pedestal em vaidade tal,
E tresloucada, instala-se levianamente
Alterando a disposição inalterada
Postumamente aprimorada,
Refastela-se na espreguiçadeira
Atraindo a lixeira, depositada à entrada traseira.

Ei-la, desventura amistosa
Que ressurge fatalmente,
Rodopia numa espiral viva,
Na esteira envolvente,
De uma rispidez dormente,
Tenebrosa de quão altiva,
Tão culta, mas tão pouco se cultiva,
Adormece enquanto esquece,
Que de astuta se tornou cativa.