02 setembro 2006

Palavras...


palavras que choram
são lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
são sentimentos que do coração saem.
é a dor que sai do nosso coração
é a paz que alivia a nossa alma
é o fim de um furacão
e o começar da calma.
é o sossego que invade o nosso ser
é o vazio que se sente no peito
são as lágrimas pelo rosto a escorrer
por algum mal que nos foi feito.
lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
e que quando do coração saem
são palavras que choram.


Há dias em que eu me perco a divagar, penso no facto de que se eu e todos nós, vivêssemos com os pés bem assentes na lua e não na terra, se seríamos mais felizes. Neste mundo cheio de realidades duras, se todos nós fossemos ignorantes ao ponto de não termos a noção de nada do que se passa à nossa volta, não viveríamos mais contentes? Há quem o faça, todos os dias, para conter o sentimento de desilusão, de que se tornou este mundo, que aparenta ser tão belo, a nível paisagístico, de fenómenos que não conseguimos explicar; mas que na realidade, nele coexistem verdades tão cruéis.
É nas palavras que eu descubro a profundidade do meu ser; e é atrás delas que eu me protejo, usando uma máscara, ainda que muito sublime. É através dessas simples palavras que eu consigo explicar, à minha maneira, o inexplicável; Elas dizem tudo e ao mesmo tempo tão pouco acerca de uma pessoa; elas tomam o significado que nós lhes apetecemos dar, não têm valor em si próprias; são movidas pela intenção, por meros pretextos. Palavras com duplos sentidos, multifacetadas, aquelas que remetem a verdadeiros equívocos; palavras sem sentido algum, dispersas na atmosfera, que ficam por dizer.

Na minha opinião elas não chegam onde qualquer acto consegue chegar, não magoam tanto como magoam as acções; Para quê palavras ditas inconscientemente, ao acaso com intenções desconhecidas capazes de ferir? Se podem ser escritas docemente, oriundas do nosso subconsciente, do nosso pensamento, da nossa maneira de ser.
São essas palavras que me fazem abstrair de tudo. Que destroem qualquer entrave, que eu possa ter, em relação à forma de me expressar.

Gostava de acreditar que as palavras não passam disso mesmo, de palavras; e é tão boa a sensação de quando as despejamos para uma reles folha, acompanhada de uma caneta cheia de tinta...
para podermos...
escrever...escrever...
sem parar...
As palavras deixam-me leve...e quando as escrevo, solto aquelas que moram há muito, refugiadas na minha garganta, encurraladas, aquelas que ficam presas, quando eu sou impedida de as divulgar oralmente.

Um comentário:

Sebastiana de Lemos disse...

É, realmente o papel esconde puderes fantásticos... eu também os sinto!
Eu se pudesse também viveria sempre no mundo da lua, no meu mundo de contos de fadas, do Johnny Depp, de tudo! Mas as coisas não são assim, infelizmente. Vive nesse mundo vera até não te obrigarem a acordar dele. A mim já me obrigaram... e foi quando fui confrontada com a morte.

Um beijo de parabéns pelos poemas lindos que fazes, que não só rimam, mas têm significado!