
O incontornável fim da ressurreição aproxima-se, e com ela levará o brotar de uma ingénua alma, que emana em si os imensos esforços canalizados que a intentaram recalcar.
Forças inúteis, infrutíferas, enfim, goradas, que ousaram impedir o ressurgimento da indomável inconsciência que assola constantemente a frieza e racionalidade, a que me habituara.
Fraca e triste natureza humana que ao deixar embalar-se pela doçura da arrogância, do egoísmo e da implacável insensibilidade de espírito, renuncia ao que se havia votado, incorporando porém, e ao invés, o débil espírito que cede ao mais meticuloso suspiro de liberdade, resignando-se à cobardia resplandecente de diminutos rasgos de luz intensa, os quais aquecem efemeramente as partes corpóreas, as quais de modo ilusório e ingenuamente a absorvem sem qualquer entrave.
Entristece-me ao discernir que regressei à insolvência desgrenhada das particularidades momentâneas e fugazmente intensas, dos olhares incrédulos e atordoantes que me teletransportam para um mundo utópico de absurdos devaneios, bloqueando o circuito de uma ilação coerente; dos risos e gritos estridentes; da ridicularidade dos infames pensamentos que me extasiam; da ternura dos gestos e da leveza das palavras. Sim, as tais que deveriam ser rudes e inflexíveis, ressequidas de qualquer piedade, destronando a doçura, a beleza reflexa de um sítio incógnito, inexistente, que ao desabar, fá-lo-á freneticamente, de modo a avassalar toda e qualquer delicada estrutura cobardemente serena.
Odeio ao mais ínfimo pormenor tudo o que se afigura, tudo o que se assemelha, tudo o que designa aquela menina imprudente que teimo reencarnar, sendo as nossas dissemelhanças abruptamente perceptíveis, pelo que cada vez mais é manifesta a maneira desajeitada com que desempenho o papel desta personagem redutível, com que jamais tornarei a identificar-me. Deixar-me ser eu, poder representar-me, é poder desamarrar as glândulas estéreis, esperneando-as, recitando cada sinfonia melódica que apraz em ensurdecer-me, ficando confinada à passiva cegueira da qual me regozijo, felicitando-a por me sentir isenta ao mortífero conceito afectivo que outrora me fizera sua cativa. Inequivocamente evoco imparcialidade perante a concepção identificada com a promiscuidade com que a banalidade instrumentaliza o seu cabal significado.
É curioso, voltei a desenhar, voltei a exprimir por palavras e por rabiscos curvilíneos o sentido, daquilo que, de facto não se poderá expressar de forma alguma!
Porém, ainda não findei a etapa narrada, terminando apenas quando ao enxugar as lágrimas, e ao expelir a pequenez dos contentamentos que me assaltam a mente, conseguir depreender o quão infeliz sou ao ser aquela menina que na realidade nela não me revejo.
Os destroços, as marcas, os rastos, os sinais, da menina petrificada e irradiante que se deixara enternecer pelo sol tórrido de Agosto, o qual a encadeara, despistando-a ao fazê-la cair num autêntico embuste, irão desvanecer-se, dando lugar à enevoada, embaciada e gélida atmosfera, que ao ampará-la, protege-a simultaneamente contra a exposição aos raios de um sol que a conduz cegamente à gradual fatalidade.
Audaz, o glorioso desfecho de uma perspicácia triunfante ao desprezar o “astro-rei”, cuja luminosidade dissimulada, intencionava impulsioná-la para um logro irremediavelmente incapacitante.
O infortúnio sol de Agosto suprido pela intempérie que caracteriza os meus majestosos dias.
Não mais irei tropeçar no intimismo de um monólogo fútil, exibicionista, extravagante, excêntrico, exorbitante, axiologicamente neutro que me entorpece os movimentos.
E deste modo, refuto avidamente a citação, que em tempos algemara o meu raciocínio mental ao tentar decifrá-la, a de que: “Uma vida lógica, não é vida”; e ao tentar infrutiferamente adequa-la à minha pessoa.
6 comentários:
1ª leitura: AMEI!!
Amanhã a horas em que o sono não me pese as pálpebras dos olhos, re-lerei again and again. Por enquanto fica o elogio "singelo".
Cá estou eu, numa das minhas (gigantes) pausas entre estudos, nomeadamente entre árduo trabalho de Direito Romano que tenho em mãos, para vir comentar este blog por que também me "apaixonei" (o do "Simba" é outro). Adiante:
Por mais errante que julgues ser, por entre censuras e censuras em que te afogues diariamente Verinha, Verinha que é Verinha (inteligente) saberá como ultrapassar esse período prófugo. Eu, tu, e certamente pouco mais pessoas se rebaixam tanto como nós próprias. Tu consegues ser ainda pior que eu: certo é que não raras vezes me martirizo, mas tu? bem tu é algo de interminável, “infindório”, incompreensível para a meu fraco entendimento.
É no Inverno, no Outono, na belíssima Primavera porque nunca atinges o que esperas, porque não te consegues superar; e é-lo também no Verão por não te identificares com a Vera que não conseguiste ser todo o resto do ano. És, sem dúvida, qualquer coisa de caricato! :D Não te irei censurar pois para isso já bastam os teus dez dedos (de certo ainda insuficientes pois outras coisas teimarás em te querer apontar), pois limito-me a dar o meu parecer sobre este formoso escrito, um entre um seu conjunto que, ao contrário do que pensaste, jamais me desiludirá.
Em todo o caso, lembro-me de te ter sugerido que falasses sobre o "sol de Agosto". Gostei de ver que te mantiveste fiel ao tema, assim como gostei da maneira como desta a volta ao que eu te pedi. Disse-te eu na altura para que te transpusesses de um cenário malogrado para um outro de felicidade (pelo menos aparente) pois a transição seria mais agradável. Subtilmente engelhaste o enredo e esqueces-te o final feliz. Não perdeu, ainda assim, a especialidade que o caracteriza.
Sabes que, como adepta ferrenha de felicidade, sorrisos e gargalhadas, me custa ver sempre este lado sóbrio e triste da Vera que procuro conhecer. Fica assim a esperança, dia após dia avivada, de ver a conhecer na Tua escrita, a Tua faceta mais esbelta. ;)
Kiss kiss
(bang bang)
Maria Rebelo
Quem te idolatra sou eu moça! Já vão quatro as vezes que li este post. E porque tu gostas de italiano: "Belissimo" (com sotaque) ;)
Não estou preparada para, nos próximos quinze dias, dizer um ADEUS melancolico às não mais aventuras ferroviárias e à intimidação pessoalíssima de animais leoninos. Se é que me entendes... ;) Mas em Fevereiro, estaremos lá para o teste! ;) Won't we?
Kiss kiss
MR
Sorry: Wont e nao Won't ... =P
olá linda! Li a tua mensagem no mesmo instante em que ma enviaste, mas a confusão do momento, obrigou-me a relegar para segundo plano a resposta "comemorativa" a que igualaria de certa forma, a honrosa noticia com que me presenteaste. :D Cá em casa ficamos todos muito contentes com as novidades!!! Os meus pais enviaram-te imediatamente um grande beijinho de parabéns, pela excelente aluna que és, resultado do imenso esforço empreendido, e claro do talento inato que jamais alguém poderá duvidar. Descobri recentemente o problema que assombrava a minha caixa de e-mail... muitos mail´s, quando enviados, eram reencaminhados automaticamente para o lixo electrónico :S Foi aí que descobri imensos imensas mensagens que pensava perdidas, incluindo uma que me enviaste no Natal. Máquinas, e nós que estamos cada vez mais presas a elas!
Bom de qualquer forma, queria-te enviar um grande beijinho cheio de força, de sol, de praia e de calor!!!! Não abandones o espírito com que fizeste este primeiro semestre. Espero que me mantenhas sempre ao corrente de tudo, e sempre que precisares já sabes, dá uma apitadela!
Beijoca! ;)
Patricia
"esqueces-te" (?) .... fogo, já não sei mesmo escrever :S ... e ainda é capaz de haver mais! :S
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