02 setembro 2008

O veredicto causa – efeito



Deixei-me vencer por mim mesma
Envolvendo-me nesta maresia derrotista
A qual me arrepele a fina camada de pele que me encobre o corpo.
Destapa-me lentamente para que se possa descobrir progressivamente a
Enorme ferida inflamada, que embora ilusoriamente escondida,
Corrobora a decomposição desta carne quase humana.
Carne viva mas em deterioração, prisioneira de um corpo que jaz
Numa alma fatigada que vagueia, deambula, e se perde uma vez mais
Na cedência das contínuas e imparáveis desistências.
Continuando à espera de me parar a mim própria
Quiçá, de quebrar esta quimera obcecante
Que me consome nos mais propositados instantes.
Ando a saciar-me com atitudes tão previsíveis
Que preenchem o meu fosso inconsciente e instintivo
Confinando-me a um estatuto animalesco
De inutilidade conformista e parasita.
Deixo-me capturar,
E resignada,
Nada faço para destronar a força que passou a controlar este vulto
Que pesa e recai num mecanismo que
Automaticamente transponho para reacções que já nada me surpreendem.

Esqueci-me de mim
Abandonei-me num sítio onde somente reina a imensa escuridão
Deixei-me órfã
Num lugar onde não existe espaço para cores
Entregue à minha triste fortuna
Que secou a imensidão de tintas que constituíam a minha paleta predilecta
E agora renego a minha identidade,
Incapaz de aceitar o meu sangue, as minhas raízes.

Já não sou quem era,
Já não me conheço.

Perdi-me.

Malditas sejam as palavras
Que já nem nelas me revejo.
Vejo,
Isso sim,
Aliás,
Sinto,
Isso sim,
A fraqueza que me percorre nas veias,
A derrota que me bombeia o coração
Num compasso penoso
Que o próprio pulsar me atordoa.
Rendo-me
Aliás,
Há muito que me havia rendido.

6 comentários:

Maria Paulo Rebelo, disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Paulo Rebelo, disse...

E depois eu é que tenho que editar um livro !! Pois ‘tá claro ...

Muito bom Verita! Adorei!

Quando te referias ao teu blog como algo de muito íntimo, nunca pensei que o fosse, não desta forma! Quando me falas-te em frases soltas, nunca as imaginei como fossem, não com essa conotação!

Se me dizes que sentes um progresso desde o teu primeiro post, então diz-me o coração que nem os quero ver, pois o prazer que tirei só por ler este primeiro alimentou-se a alma por segundos!

Desvendaste uma parte de ti neste texto que nunca pensei existir! Parece que me (nos) deixas entrar nesse teu triste e decadente pensamento existencial! Pucha como me abris-te essa faceta escondida algures em Ti vera!

Parei para comentar este primeiro texto sem espreitar para os outros! Fiquei com sede de mais ...

Take care,
Maria Rebelo

Maria Paulo Rebelo, disse...

INSPIRA-TE! =D

quero ler-te! ;)

Maria Paulo Rebelo, disse...

AGORA NÃO TENS DESCULPA!!


muahahahaaa ;)

Maria Paulo Rebelo, disse...

(para fazer novo post, entenda-se)

Maria Paulo Rebelo, disse...

"falaste" (?) "abris-te" (?) ... tenho de ir para a escola :S