
Deixei-me vencer por mim mesma
Envolvendo-me nesta maresia derrotista
A qual me arrepele a fina camada de pele que me encobre o corpo.
Destapa-me lentamente para que se possa descobrir progressivamente a
Enorme ferida inflamada, que embora ilusoriamente escondida,
Corrobora a decomposição desta carne quase humana.
Carne viva mas em deterioração, prisioneira de um corpo que jaz
Numa alma fatigada que vagueia, deambula, e se perde uma vez mais
Na cedência das contínuas e imparáveis desistências.
Continuando à espera de me parar a mim própria
Quiçá, de quebrar esta quimera obcecante
Que me consome nos mais propositados instantes.
Ando a saciar-me com atitudes tão previsíveis
Que preenchem o meu fosso inconsciente e instintivo
Confinando-me a um estatuto animalesco
De inutilidade conformista e parasita.
Deixo-me capturar,
E resignada,
Nada faço para destronar a força que passou a controlar este vulto
Que pesa e recai num mecanismo que
Automaticamente transponho para reacções que já nada me surpreendem.
Esqueci-me de mim
Abandonei-me num sítio onde somente reina a imensa escuridão
Deixei-me órfã
Num lugar onde não existe espaço para cores
Entregue à minha triste fortuna
Que secou a imensidão de tintas que constituíam a minha paleta predilecta
E agora renego a minha identidade,
Incapaz de aceitar o meu sangue, as minhas raízes.
Já não sou quem era,
Já não me conheço.
Perdi-me.
Malditas sejam as palavras
Que já nem nelas me revejo.
Vejo,
Isso sim,
Aliás,
Sinto,
Isso sim,
A fraqueza que me percorre nas veias,
A derrota que me bombeia o coração
Num compasso penoso
Que o próprio pulsar me atordoa.
Rendo-me
Aliás,
Há muito que me havia rendido.
6 comentários:
E depois eu é que tenho que editar um livro !! Pois ‘tá claro ...
Muito bom Verita! Adorei!
Quando te referias ao teu blog como algo de muito íntimo, nunca pensei que o fosse, não desta forma! Quando me falas-te em frases soltas, nunca as imaginei como fossem, não com essa conotação!
Se me dizes que sentes um progresso desde o teu primeiro post, então diz-me o coração que nem os quero ver, pois o prazer que tirei só por ler este primeiro alimentou-se a alma por segundos!
Desvendaste uma parte de ti neste texto que nunca pensei existir! Parece que me (nos) deixas entrar nesse teu triste e decadente pensamento existencial! Pucha como me abris-te essa faceta escondida algures em Ti vera!
Parei para comentar este primeiro texto sem espreitar para os outros! Fiquei com sede de mais ...
Take care,
Maria Rebelo
INSPIRA-TE! =D
quero ler-te! ;)
AGORA NÃO TENS DESCULPA!!
muahahahaaa ;)
(para fazer novo post, entenda-se)
"falaste" (?) "abris-te" (?) ... tenho de ir para a escola :S
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