Não sei…Não sei o quão poderoso tu és, só sei que incides, sobre mim, um grande poder. Consegues soltar o pequeno grande bicho que guardo, bem guardado, dentro do meu insignificante ‘’eu’’. Se ao menos te pudesse tocar, para certificar-me que não passas de mais um delírio meu, de um ser que faz parte da minha imaginação. Mas a verdade, é que eu sei que existes, estás presente nos momentos em que eu menos preciso de ti; ficas a meu lado e fazes de mim tua prisioneira; Desprendes o pavor, o nervoso miudinho e a desilusão, sentimentos a que me habituaste. De repente, apaga-se tudo, e tu fazes-te ouvir da pior maneira, berras ao meu ouvido, e eu aí, como é que posso desprezar o arranhar das minhas unhas na parede áspera, Como? Dizes-me? Eu sei que te fortaleço quando deixo cair uma lágrima que seja; Sei que o meu grito abafado é a consequência de seres tão imprevisível, de me apanhares desprevenida e ficares quieto, a ver a dor a consumir-me. Atacas-me porque sabes que eu sou frágil, sabes que eu não reajo, e que depois, permaneço sossegada a ver o tempo a passar-me ao lado, o tempo que está farto de passar por mim, sem eu o agarrar.
Tens o dom de desfazer tudo num ápice em mil pedaços, porque não precisas de desculpas para me pores à prova. Se ao menos eu pudesse fugir de ti, mas é inútil, estou metida no labirinto onde me puseste, o labirinto onde eu não posso sair quando me apetece, o labirinto mais comprometedor que eu já alguma vez conheci, onde caminho num terreno plano, ao mesmo tempo que metes, com frequência, declives acentuados, à minha frente.
Desisti de enfrentar-te, porque quando o faço eu sei que me magoas o dobro. Inquieta, deixo-me ficar, à espera que te vás embora, sabendo que irás voltar. Até lá, apetece-me cruzar os braços, e esperar que venhas buscar-me, fazendo de mim, a tua próxima vítima. Perto de mim, tenho os lenços de papel, que uso para absorver as lágrimas causadas por ti. Para trás, deixo os bons momentos que fizeste questão de destruir.
E quando te apoderares da minha alma, solta o meu corpo por aí, para que ele possa ser arrastado pelo vento, molhado pela chuva, seco pelo sol brilhante e venerado pela lua.
Agora, apaguei as luzes do meu quarto, olhei lá para fora, apaguei a luz de uma estrela, e fui apagando uma, a uma, por último, apaguei a da lua; fez-se escuro, não oiço nada. Voltaste.
By: Me
Um comentário:
Sim, ele vem mesmo sem avisar, e quando nós menos esperamos. É impressionante como algo, ou alguém pode fazer das nossas lágrimas a contrução da sua felicidade. É. Mas infelizmente por vezes é assim, e por mais que não lhe queiras dar esse prazer, não consegues, porque é mais forte do que tu, e porque já estás tão franca, que simplesmente te deixas ir... e assim cai mais uma mão cheia de lágrimas.
Um beijo, um dia tudo vai mudar, tenho esperança que sim. Adoro-te.
Patricia
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