
Inacreditável o prazer que me dá o simples caminho que faço para chegar a casa; Tudo começa com as eternas esperas na paragem do autocarro, em que vejo as pessoas desejosas por fazerem o itinerário que as aguarda, olhando para o relógio vezes sem conta. Ao fim de tanto tempo, lá vem ele; Quando entro, vejo o habitual tipo de pessoas, jovens, velhos, senhores e senhoras muito bem arranjados; oiço as conversas do costume, as queixas que se dirigem ao condutor, por ele se esquecer de parar em certas paragens; as queixas normais, que a vida não está para brincadeiras etc, etc. Afinal são pessoas como eu.
Enquanto vou ouvindo aos poucos os burburinhos alheios ao meu pensamento, começo a pensar o porquê de eu estar ali e não noutro lugar, a pensar por quanto mais tempo é que irei ter que fazer aquele caminho, quantas alegrias e tristezas minhas é que aquele simples banco do autocarro irá presenciar?
Finalmente saio do autocarro, e percorro aquelas estradas longas e cheias de trânsito, a ouvir o barulho forte das buzinas, e a sentir o calor intenso que me atinge, até chegar a casa. As ruas preenchidas de casas e casinhas, cobertas de quintais com flores de inúmeras e das mais vastas cores, flores que a cada dia que passa vão crescendo, e quando passo por elas, parece que sorriem para mim. As velhinhas que quando lhes apetece, me dizem ‘’Boa Tarde menina’’ e eu retribuindo, faço-lhes um sorriso, ainda que forçado e cheio de cansaço.
Cheguei…
Abro o portão do meu doce lar, e aparecem os meus três lindos cães excitados de alegria por me verem, Abro a porta e digo: Mãe, cheguei! Enquanto a abraço e lhe dou um beijinho, ela pergunta-me: Como foi o teu dia hoje? E eu respondo-lhe: Igual a todos os outros, venho cansada; ao mesmo tempo que me surge na memória que afinal o instante que demoro daquela paragem até casa, leva-me a imaginar e a pensar em tantas coisas, esse instante que me arrasta com ele, enquanto me perco ao sabor das minhas profundas e incontroláveis memórias.
O poder que o pensamento tem, tornar aquilo que ao mesmo tempo que parece tão banal (como o caminho até casa) em algo tão especial. O som daquela musica que me acompanha forçando-me a cantá-la para mim, enquanto conto os paços que faltam para chegar ao meu destino.
Pensar, Sentir….
Não sei por que é que isso me acontece, talvez pela mesma razão que não sei por que é que, ás vezes reajo de uma maneira tão inexplicável, a certas situações…
Penso, sim…
Que estou a morrer por dentro…e que estas são…
As minhas últimas sensações, os meus últimos desejos, as minhas últimas alegrias e tristezas…
Os meus últimos momentos…
Que amanhã vão jazer no meu pensamento…
By: Me (mais um desabafo)
Um comentário:
Eu também me sinto a morrer por dentro, não o digo a ninguém e finjo que nada se passa. Não sei o porquê desta maldita sensação, só sei que esta mora dentro de mim. Sei que também vive dentro de ti.
Idêntifico-me muito com os teus textos, porque muitas coisas que escreves neles, eu também as sinto... ou penso que sinto!
Um beijo cheínho de força só para ti!
Cozinheira
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