
Revivo cada página solta do meu álbum de recordações, cheio de significantes lembranças que voluntariamente apaguei; porém continuo fraca, na esperança de tentar fortalecer à medida em que vou cometendo erros imperdoáveis. Contudo, e ao invés, os pontos fracos insistem em consumir-me, dissuadindo aquele monstro que contenho no meu íntimo, para que se manifeste da pior maneira.
Atormentas-me, dominas-me e tornas a minha pessoa numa alma obsessiva que permanece, inicialmente, num estado extasiado, perdendo gradualmente a capacidade de se consciencializar da realidade, digamos da dura realidade.
É curioso, que no momento em que ressurges, instigas todos os bichinhos adormecidos que residem nos recantos do meu ser, bichinhos esses, que temo com todas as minhas forças efémeras, as quais se encontram inseridas nas minhas fraquezas persistentes.
E é nesta ilusão imutável que me envolves, com a sede de encontrar algo que me alente, a fim de não mais me entregar aos pensamentos momentâneos que me subjugam, incitando-me a ceder. Esse algo que se inicia como sendo uma aparente fonte de prazer, implica o saciar de todas as minhas carências, ficando eu incapaz de discernir os limites do razoável, mas paralelamente, sendo algo que me permite preencher cada vazio intrínseco.
Por fim, o desalento, e desiludida comigo mesma, afogo-me na dor dos efeitos colaterais, resultantes da ingénua inconsciência que me avassalou. Sequelas advindas de causas evasivas, as quais servem de subterfúgios para enterrar cada mazela inscrita no meu corpo, mas que na verdade exercem pressão para me afundar num arrependimento sem precedentes, sentindo-me num estado de latência desprovida da mais pequena sensibilidade.
Inevitavelmente continuo à procura duma força suficientemente capaz de encerrar a energia maligna que desperta, estimula e direcciona cada hormona do meu físico, encaminhando-as, uma a uma, para um beco suicida.
E assim, finalizo tal como comecei, fraca e em busca de uma força que ressuscite este vulto debilitado e sem rumo. E assim, começo tal como finalizei, que por mais que me tente mentalizar que aquela força existe, o imane mortífero reaparece, destronando todas as minhas crenças, cuja motivação se dissipa, revelando-se arbitrariamente o monstro que habita no meu interior.
Consecutivamente, sucessivamente, repetidamente, constantemente até …
um dia deixar de ser quem realmente sou, ou talvez somente,
quem eu gostaria que fosse, pois,
perdi-me num passado remoto, que teima encarnar o presente,
cujo presente se resume a fraquezas afundadas em refúgios de felicidade fugaz, a qual num ápice, é substituída por constrangimentos e martírios que não prescindem de se intrometer no meu mundo.
Resta-me assistir imóvel ao controlo das minhas coordenações, numa atordoante impotência mental que me invalida de acreditar e, por sua vez de concretizar, o anseio de aquela realidade paralela se entrecruzar com a minha.
Petrificada, sonho com a esperança de obter a imunidade desejada que me conceda a isenção ao derrube executado pela substância que se apodera e se entranha da minha existência, pondo-se término ao sufoco quotidiano de ser o cárcere de uma obscuridade cíclica.
Atormentas-me, dominas-me e tornas a minha pessoa numa alma obsessiva que permanece, inicialmente, num estado extasiado, perdendo gradualmente a capacidade de se consciencializar da realidade, digamos da dura realidade.
É curioso, que no momento em que ressurges, instigas todos os bichinhos adormecidos que residem nos recantos do meu ser, bichinhos esses, que temo com todas as minhas forças efémeras, as quais se encontram inseridas nas minhas fraquezas persistentes.
E é nesta ilusão imutável que me envolves, com a sede de encontrar algo que me alente, a fim de não mais me entregar aos pensamentos momentâneos que me subjugam, incitando-me a ceder. Esse algo que se inicia como sendo uma aparente fonte de prazer, implica o saciar de todas as minhas carências, ficando eu incapaz de discernir os limites do razoável, mas paralelamente, sendo algo que me permite preencher cada vazio intrínseco.
Por fim, o desalento, e desiludida comigo mesma, afogo-me na dor dos efeitos colaterais, resultantes da ingénua inconsciência que me avassalou. Sequelas advindas de causas evasivas, as quais servem de subterfúgios para enterrar cada mazela inscrita no meu corpo, mas que na verdade exercem pressão para me afundar num arrependimento sem precedentes, sentindo-me num estado de latência desprovida da mais pequena sensibilidade.
Inevitavelmente continuo à procura duma força suficientemente capaz de encerrar a energia maligna que desperta, estimula e direcciona cada hormona do meu físico, encaminhando-as, uma a uma, para um beco suicida.
E assim, finalizo tal como comecei, fraca e em busca de uma força que ressuscite este vulto debilitado e sem rumo. E assim, começo tal como finalizei, que por mais que me tente mentalizar que aquela força existe, o imane mortífero reaparece, destronando todas as minhas crenças, cuja motivação se dissipa, revelando-se arbitrariamente o monstro que habita no meu interior.
Consecutivamente, sucessivamente, repetidamente, constantemente até …
um dia deixar de ser quem realmente sou, ou talvez somente,
quem eu gostaria que fosse, pois,
perdi-me num passado remoto, que teima encarnar o presente,
cujo presente se resume a fraquezas afundadas em refúgios de felicidade fugaz, a qual num ápice, é substituída por constrangimentos e martírios que não prescindem de se intrometer no meu mundo.
Resta-me assistir imóvel ao controlo das minhas coordenações, numa atordoante impotência mental que me invalida de acreditar e, por sua vez de concretizar, o anseio de aquela realidade paralela se entrecruzar com a minha.
Petrificada, sonho com a esperança de obter a imunidade desejada que me conceda a isenção ao derrube executado pela substância que se apodera e se entranha da minha existência, pondo-se término ao sufoco quotidiano de ser o cárcere de uma obscuridade cíclica.
3 comentários:
Vera não quero que te tornes nesse Fernando Pessoa ressurrecto! Não! Não! Não!
Essa não é essa Vera que vejo todos os primeiros 5 dias da semana! Aquela é a Vera que gosto de ver e quero ler! Ó Vera nós fazemos o nosso destino! Obscuridade só nas mentes vãs que se perdem na promiscuidade de desejos fúteis! Tu não és assim! A tua vida, esse caminho incerto que adiante vislumbras jamais poderá estar coberto por esse pano suspenso que te veda toda a alegria ludibriosa do lado de lá! Tu já desvendas-te esse pano! Sei que sim! E ainda que teimes no não, pelo menos sei que já o espreitas-te, já lhe pegas-te pelas bordas e ergueste-o para que satisfizesses essa curiosidade incessantemente tentadora! Mais, toda a gente o fez! Toda a gente já sentiu a felicidade escorrer-lhe pelo sorriso rasgado, já colheu o calor intenso no folgante peito de uma alegria ainda que esporádica, ainda que inútil aos olhos dos outros!
Não.... a Tua vida não é um ciclo de obscuridão como a pintas! O breu só o é, só é essa mancha que teima em desaparecer, para os pintores, para os naturalistas, para todos os que teimam em imperativizar nessas premissas categóricas a verdade intrínseca ao paralelo dessa imensidão de átomos nervosamente inquietos, aglomerados em disposições inconstantes, não para aqueles que com a agilidade fértil e sedutora da sua alma descobrem e desvendam qual pálida gaivota pairando nesse voo sereno, sobre o intérmino céu negro; talvez para aqueles que preferem constatar a imperfeição da realidade e lograr por viver e sofrer por esse cônscio triste de uma verdade com que têm de suportar inelutavelmente, não para os que jogam esse jogo rebelde de desvendar todos os dias o tal pesado pano vermelho que se estende defronte, descobrindo a perfeição onde ela jamais poderia existir e dela saciando toda uma insatisfação incorpórea jamais alcançável pelo discurso analítico e sintético dos Outros!
És Tu vera que eu quero ler!
Take care,
Maria Rebelo
"desvendas-te" (?), "pegas-te" (?) .. fogo, mas eu não sei escrever :S
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