
Apagas os passos que vou dando em frente e fazes-me recuar; dás ordens ás nuvens que cubram a única luz que me resta, a luz dos astros. A única razão pela qual ainda sou tua refém prende-se pelo motivo de tu teres aprisionado a minha alma, tiraste-me a razão de viver, o sentido à vida. De momento caminho em sítios, onde a estranha melancolia reina, e de rompante ponho-me a espreitar em todas as esquinas que vou encontrando, na solene esperança de encontrar um rumo; um rumo que me encaminhe, um rumo que tenha luz, que não haja nada que a faça apagar. Parei numa poça de água, feita pela chuva, nela consigo ver o meu reflexo, nada o pode diluir a não ser o calor do sol; nela revejo quem eu sou e com ela ajudo a combater a minha incapacidade de reagir.
E agora que tudo se apagou, e agora que as únicas saídas que tinha estão obstruídas pela minha mente auto destrutiva. Saio de levezinho sem ninguém se dar conta, luto contra o único tempo que me resta, e depois, simplesmente, paro. E agora sim, arrasto-me contigo, deixo-me ser levada pela tempestade de vento, e enquanto a ventania me envolve, tento recordar-me de momentos passados.
Inútil. Apagou-se tudo, congelaste a restante parte de mim. Apareces inoportunamente, és imprevisível, mas neste momento já não me consegues surpreender; passo demasiadamente tempo à tua espera. Roubas cada segundo do meu tempo, e fazes-me desperdiçar cada milésimo de segundo da minha vida. Vida? A que tu levaste contigo e que nunca mais me devolveste?
Devolve-ma…
Apagaste-me tudo…
E a esse tudo, vou-me juntar, em dentro de poucos instantes…
Falta pouco para eu me apagar também…
Leva-me contigo de uma vez por todas,
no lugar onde me deixaste perdida, não me consigo encontrar,
já não estou aqui a fazer nada…
O meu pensamento dissolveu-se na densa atmosfera…
Os meus sentimentos, esses? Fazem parte da enorme complexidade da noite, e por lá, encontram-se dispersos, encontram-se tal como eu,
Sozinha, a vaguear…
Á espera…
E assim, vou passando os restantes dias,
Á espera…
Vejo, apenas aquilo que ainda não me levaste,
a minha sombra...
3 comentários:
Pede a ajuda da tua sombra, para reconstruires tudo aquilo que algo te levou. Ou talvez, tudo aquilo que tu inconsciêntemente apagás-te!
Há algo que nada nem ninguém te pode roubar... a capacidade fantástica de te exprimires! Sei que através dela podes lutar contra o mundo... só tens de ter coragem para o fazer. Para admitires que algo está mal, e para não deixares ninguém apagar-te e roubar-te a vida.
A big kiss just for you!
Ticinha (finalmente consegui ver comentar o teu blog)
Oh "rapariga do nosso coração" (cá está novamente esta frase irritante que inevitavelmente corrompe o meu cérebro e que eu odeio, um ódio puro! mas enfim) vou-te dar uma ordem a título de conselho (=S): não te podes servir deste blog só teu, para refugiares as angústias que outros te causem! Mais, não podes nem te deixaremos sofrer desta maneira sôfrega e cruel que te deixa perdidamente sozinha nesses pensamentos masoquistas! Esses buracos com que deparas na terra por onde caminhas não são para neles distraidamente caíres e conformemente aceitares magoar-te; antes para te fazerem levar a saltares-lhes por cima, subalternizando-os, submetendo-os ao teu desprezo e à tua indiferença!
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