
Entrei,
E vi a verdade nua e crua.
A cor do medo,
A fúria da vitória
Empurrando-me para a frente.
Gritei e ouvi o eco do meu grito
Abanar o mundo e sacudir as estrelas.
Ergui os meus braços para a noite escura,
Ainda mais clara que a minha alma,
E chorei de alívio e raiva
Por me livrar da minha inocência.
Castiguei as minhas perguntas,
Respondendo-lhes...
E senti a chuva purificar-me até aos ossos.
Senti vontade de explodir,
De me desintegrar em mil pedaços,
Que formariam depois uma pessoa qualquer!
Dancei com o meu medo
E lutei contra a minha sorte.
Fechei os olhos e quando os abri...
Já não tinha mais alma!...
Ela anda perdida por aí...
Cinzenta e solúvel como o nevoeiro,
Soando tão só como o toque dos sinos de madrugada.
Deixou de ser minha prisioneira,
Escrava dos meus complexos e receios
E advogada dos meus sonhos e sentimentos.
Está livre e solta...
Forasteira e escorraçada,
Como se tivesse raça, cor ou sexo.
De canto para canto,
Ignorando a verdade que eu vi e conheço.
Trocámos de lugar... Sou eu que estou do outro lado do espelho agora.
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Estou no meio de paredes nuas, que eu própria despi, brancas, pálidas e rugosas; de uma janela que raramente consegue deixar passar raios de luz; debaixo de um tecto enfeitado por um candeeiro de luz artificial, debaixo de um tecto que teima em desabar e cair-me em cima; em frente de um espelho que reflecte a imagem de uma pessoa irreconhecível; no meio daquela mobília de madeira que continua no mesmo sítio, e num estado igual ao do primeiro dia em que a vi, apesar dos anos terem passado, não se lhe nota o desgaste, nem a deteorização; atrás de uma cama rígida; sentada num chão escorregadio que insiste em fazer-me cair; estou a olhar fixamente para aquela porta que está fechada, quero abri-la; tenho a sensação de que o que vejo não é verdadeiro, pareço uma câmara que capta a imagem tão lentamente, que acaba por ficar desfocada, tenho medo da luz se apagar a qualquer momento. No meio desta imensidão de acontecimentos, de situações vastas que tendem em continuar, parecendo inacabáveis; de choros; de pensamentos; de palavras, frases, actos lançados ao acaso e esquecidos pelo tempo. Quatro paredes que confidenciam tudo isto, num silêncio absoluto, ouvem os meus piores medos e receios, todos os meus pesadelos, os meus poucos momentos de felicidade, de sorrisos, risos e gargalhadas, todos os meus segredos, e anseios.
Quando lá estou, sei que posso abstrair-me de quase tudo, posso gritar ou até mesmo berrar.
Nessas quatro paredes vejo um apoio extremo, que me aquece quando eu arrefeço, quando estou gelada; nelas vejo um ombro amigo. E essas quatro paredes fazem parte do meu quarto.
Despi e horrorizei aquele a que eu chamo de ‘’o meu cantinho, o meu espaço’’, o único sítio onde eu me sinto verdadeiramente bem.
Tenho saudades de adormecer a ouvir os pingos de chuva a colidirem com o telhado, tenho saudades de olhar pela janela do meu quarto, de onde posso ver e imaginar tudo, onde me perco, horas e horas a sonhar.
Quando lá estou, sei que posso abstrair-me de quase tudo, posso gritar ou até mesmo berrar.
Nessas quatro paredes vejo um apoio extremo, que me aquece quando eu arrefeço, quando estou gelada; nelas vejo um ombro amigo. E essas quatro paredes fazem parte do meu quarto.
Despi e horrorizei aquele a que eu chamo de ‘’o meu cantinho, o meu espaço’’, o único sítio onde eu me sinto verdadeiramente bem.
Tenho saudades de adormecer a ouvir os pingos de chuva a colidirem com o telhado, tenho saudades de olhar pela janela do meu quarto, de onde posso ver e imaginar tudo, onde me perco, horas e horas a sonhar.
Um comentário:
Realmente o nosso quarto é um sítio fantástico... nele sentimo-nos tão resgardadas, tão seguras, tão bem , com as nossas coisinhas.
Mas não deixes de sonhar, é a pior coisa que se pode fazer, é a única coisa que nos mantém vivos... o sonho... através dele chegamos até ao fim do mundo, é só preciso ter coragem... essa que te abandona mas que um dia não o fará, porque um dia dirás: "NÃO, BASTA!!". E nesse dia espero estar aqui, para ver a tua grande victória sobre ti mesma. Porque tenho a certeza que esse dia existe, não sei é quando vai aparecer, mas isso só depende de ti.
Um grande beijo cheio de saudade e de carinho para ti.
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