
O meu grito é abafado por um vendaval, a minha mente está cheia de recordações desfeitas pela trovoada, tenho a garganta a abarrotar de palavras embrulhadas e amarrotadas à espera de serem soltas. Aqui sentada a escrever os meus devaneios, não dou pelo tempo passar, enquanto oiço o uivo do vento forte, a derrubar tudo, lá fora. Observo imóvel, como se nada fosse comigo, vendo a destruição a rondar-me, mas não a atingir-me.
Aqui estou, indiferente mas com saudades de pequenas coisas, de pequenos toques, de pequenos cheiros, que me fazem querer viver, que me fazem querer acreditar, que dão um novo rumo à minha vida, quando não sei para que lado é que devo seguir.
A memória, é só um pretexto que tenho para me lembrar de coisas simples e recentes, do tipo: o que é que comi à bocado, ou o que é que fiz ontem; no meu caso não sei se ela abrange um período de tempo tão longo, O tempo, esse fez-me mudar, fez-me apagar memórias boas que trazem saudade, e más, que hoje não passam só disso, de memórias. Fez-me ver algumas coisas noutra perspectiva, noutro ângulo. O tempo construiu-me, e se hoje sou como sou, foi devido a esse tempo que tanto necessitei, Tive um momento sabático na minha vida, que não o trocaria por nada.
Memórias esquecidas, transcritas para papéis amachucados e rasgados, com palavras escritas em vão e borradas pelas lágrimas.
O tempo faz questão de apagar tudo, se deixarmos, e aí, a memória de nada nos serve.
Um comentário:
Tens razão... o tempo apaga tudo... sentimentos... pensamentos... receios... Temos de ser mais fortes que ele por vezes, para este não apagar coisas que nós nunca queremos esquecer.
Tenho a certeza de que há coisas de que nunca te esquecerás... não há tempo que as apague, porque estas não estão guardadas na tua memória, mas sim no teu coração.
Um beijo para ti, e só para ti, porque é para ti!
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